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Cuidados Paliativos
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Os Cuidados Paliativos na DPOC

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Este tema é bastante polémico e muitos doentes não querem sequer ouvir falar sobre Cuidados Paliativos. No DPOC.PT consideramos que é importante que os doentes e as suas famílias estejam preparados para todas as eventualidades.

Em alguns doentes a evolução desta doença é marcada por um agravamento progressivo do estado geral e dos sintomas evidenciados pelos seus doentes, normalmente no decorrer de exacerbações, que condicionam uma deterioração global da saúde da pessoa, em muitos casos irreversível, com diminuição persistente da qualidade de vida e também sobrevivida.

Um doente com DPOC muito grave pode sofrer desconforto físico, tal como dor, dificuldade respiratória, náuseas ou fadiga. Pode ainda apresentar sentimentos de angústia, tal como ansiedade, depressão, ou mesmo ideação suicida.

Por exemplo, uma pessoa com doença muito avançada e um prognóstico muito reservado, tem direito a receber cuidados para a ajudar a sentir mais confortável, sem que o objetivo principal seja o de tratamento. Esse tipo de cuidados é o que se chama de cuidados paliativos.

O cuidado paliativo como entidade médica surgiu na década de 60, como “cuidado de fim da vida”, e era prescrito quando havia apenas uma pequena chance de cura da doença ou de devolver à pessoa uma vida “normal”. Esta definição evoluiu para englobar também o doente com desconforto ou aflição. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o cuidado paliativo como um sistema de recursos que melhoram a qualidade de vida dos pacientes e das suas famílias, na parte terminal da doença, existindo uma esperança de sobrevivência muito curta.

Um doente com esperança de vida expectável inferior a 6 meses, ou seja com prognóstico muito reservado, tem indicação para ser inserido nestes cuidados. Estes doentes podem sofrer com falta de ar e cansaço ao mínimo esforço e os cuidados paliativos têm como objetivo prevenir ou adiar esses sintomas. Sabe-se que a falta de ar na fase terminal da DPOC é muito comum. Normalmente é controlada através de fármacos opióides, muitas vezes com auxilio a esquemas desenhados por equipas da “Consulta da Dor”.

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Onde se faz?

Hoje em dia não é obrigatório estar internado, sendo que os cuidados podem ser disponibilizados em hospitais, clínicas, lares, instituição especificas ou no domicilio.

Na sua forma mais básica, o médico de família ou o médico especialista podem oferecer os cuidados paliativos básicos, nomeadamente na paliação da dor ou da ansiedade/depressão. Caso sejam necessários cuidados mais intensivos ou específicos, deve-se referenciar o doente a uma equipa especializada em cuidados paliativos, que inclui médicos, enfermeiras, assistentes sociais, e pode incluir conselheiros e terapeutas, entre outros.

O acesso a cuidados paliativos é ainda muito reduzido, infelizmente.  As guidelines mais recentes afirmam a necessidade de se melhorar bastante este aspecto.

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Planeamento do fim-de-vida

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Outra questão importantíssima nestes doentes é um adequado planeamento do fim de vida. Uma discussão e planeamento atempados evitam ou diminuem o stress emocional, facilitando a vida dos doentes e familia.

A ansiedade e a depressão são comuns neste doentes e nas suas familias. O tratamento paliativo inclui não só a terapêutica medicamentosa, mas também o aconselhamento e suporte. Este cuidado especializado deve oferecer amparo para a angústia espiritual ou indicar pessoas preparadas para ajudar o doente nesse aspecto.

É também fundamental a assistência no luto, disponibilizando-se um suporte para a família antes e depois da morte do doente. Assistentes sociais, enfermeiros e especialistas em luto podem ajudar neste processo.

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Existem algumas dificuldades:

  • Os doentes não estão preparados para discutir o fim-de-vida: não dão o devido valor à gravidade da doença ou então têm medo que ao tomar todas as estas medidas estejam a aceitar que vão morrer a curto prazo.
  • Da parte dos profissionais de saúde existe falta de recursos, tempo, preparação e de protocolos.