A opinião do Especialista – A importância da TAC Tórax na DPOC

Apesar de não ser um exame essencial e obrigatório na abordagem a uma pessoa com suspeita de DPOC, a verdade é que a tomografia computadorizada do tórax (conhecida pela sua sigla – TAC) é um dos exames que pode ter que realizar durante o seu seguimento com o médico. Algumas pessoas ficam assustadas porque pensam que isso quer dizer que existe qualquer coisa de errado com elas, provavelmente porque associam este exame a suspeitas de neoplasias.

A verdade é que este exame de imagem permite que o médico tenha acesso a mais detalhes do que realmente se passa nos pulmões e nos brônquios do que com uma radiografia de tórax, nomeadamente através de inúmeras imagens transversais dos pulmões e outros órgãos inseridos no tórax (assim como vasos sanguíneos e ossos), como se fossem várias fotografias, e que são então combinados por um computador em imagens tridimensionais. Essas imagens permitem detetar doenças, lesões ou a causa de queixas como a falta de ar ou dor torácica.

Algumas doenças ou alterações associadas à DPOC podem só ser observadas após realização de uma TAC Tórax, nomeadamente o Enfisema, Bronquiectasias, Nódulos e muitas outras. No DPOC.PT falamos sobre a maioria delas numa secção do nosso site.

 

O que é necessário saber antes de fazer uma TAC?

A TAC é realizada em clinicas de Imagiologia ou em serviços próprios nos Hospitais por profissionais treinados e especializados neste tipo de exames que lhe vão dar todo o apoio durante a realização do mesmo. Antes do exame vão pedir-lhe para não comer ou beber nada para garantir que as imagens são claras e sem interposições, de modo a evitar que se tenha que repetir o exame ou que não se tirem as conclusões mais acertadas. Recomenda-se ainda que use roupas soltas e confortáveis, evitando as joias ou cintos, uma vez que os objetos de metal terão que se removidos antes da máquina começar a trabalhar.

Uma vez um doente descreveu-me a máquina onde se faz o exame como se fosse um donut gigante e a verdade é que até se parece mesmo com esse bolo! Quando entrar na divisão onde a máquina está localizada, irá ficar deitado numa marquesa que irá deslizar no meio do buraco do “donut”. Não precisa, nem pode, mexer-se e em alguns minutos está livre para voltar à sua vida normal.

Este exame não provoca qualquer dor, mas alguns doentes podem sentir-se desconfortáveis com a sensação de estar rodeado por uma máquina, principalmente se sofrerem de claustrofobia (fobia de estar em locais apertados). Em alguns casos, pode necessitar que se injete um agente de contraste, geralmente um corante à base de iodo, para destacar certos elementos importantes da anatomia torácica ou em caso de suspeita de algumas doenças. O contraste ajuda a criar imagens mais claras para um diagnóstico mais acertado, mas pode deixar um gosto metálico na boca. Se tiver alguma história de alergia ao contraste esta é a altura indicada para avisar a equipa dessa informação.

 

Durante o exame

O aparelho vai girar em torno da região torácica enquanto a cama vai deslizando devegar no centro, para a frente e para trás. Estes movimentos provocam ruídos e cliques que correspondem à gravação de cada imagem. O técnico que opera a máquina, está numa sala anexa, a vigiar e controlar todos os momentos, assistindo e pode comunicar consigo através de um intercomunicador. É possível que lhe peçam para suster a respiração durante alguns segundos para produzir imagens mais definidas, com o tórax insuflado com ar.

Em média cada exame demora entre 10-15 minutos. Se tudo correr bem e as imagens forem satisfatórias, o exame será posteriormente relatado por um médico imagiologista que o descreve num documento detalhado para que o seu médico possa adequar à sua situação.

 

Após o exame

Após ter terminado o exame e se as imagens adquiridas são de boa qualidade, está feito! Não precisa de ficar internado para este exame, pode ir para casa logo que esteja pronto. A TAC expõe a pessoa a uma pequena quantidade de radiação, no entanto, esta é bastante maior que a de uma radiografia de tórax – de qualquer forma não se preocupe, se for usada com moderação não deverão haver problemas para a sua saúde – trata-se de um mal menor, cujo beneficio suplanta largamente os eventuais efeitos adversos. Mulheres grávidas ou mulheres que pensam que podem estar grávidas devem informar o médico, pois podem ser tomadas algumas medidas de proteção ou ponderar a realização do mesmo.

Se for usado um contraste durante o exame pode sentir algum desconforto na zona da picada agulha e, após a injeção, experimentar uma sensação de calor no corpo ou um sabor metálico na boca, mas que costumam passar.

 

Em conclusão, a TAC do Tórax tem um papel relevante na melhor caracterização da doença no sistema respiratório e, apesar de não ser fundamental, pode dar um contributo importante no seguimento de doentes com DPOC.

Dr. João Cravo

Especialista em Pneumologia