Ser bombeiro é umas das profissões mais perigosas para os pulmões

O fumo que é inalado pelos bombeiros no combate aos fogos (principalmente os florestais) coloca estes profissionais no grupo de risco da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). O combate aos fogos, feito ano após ano e, na maior parte das vezes, sem qualquer proteção das vias respiratórias, potencia o agravamento de doenças já existentes no sistema respiratório e pode levar ao desenvolvimento de outras.
Isto acontece pois as partículas que acompanham o fumo bem como o calor das chamas colocam em risco a saúde dos doentes com doenças do sistema respiratório, sobretudo, através da deposição dessa pequenas partículas nas vias aéreas e que provocam um nível muito perigoso de inflamação dessas vias respiratórias. Nos bombeiros a situação é ainda mais grave, pois o contato com o fumo é mais próximo e prolongado.
A longo prazo sabemos que a inalação do fumo pode diminuir a capacidade respiratória e que anos e anos de inflamação podem resultar no desenvolvimento de uma doença pulmonar obstrutiva crónica e irreversível. Sendo assim, é fundamental que os bombeiros usem equipamentos de proteção respiratória, quando combaterem os incêndios.
Conforme referiu a Sociedade Portuguesa de Pneumologia num comunicado recente as partículas tóxicas que existem no fumo podem dispersar-se a grande distância com o vento, podendo atingir povoações muito distante, até 300 km. As partículas mais pequenas penetram profundamente nas vias respiratórias e são potencialmente promotoras de lesão pulmonar. O monóxido de carbono (CO), o dióxido de enxofre (SO2), o dióxido de nitrogénio (NO2) e o Ozono (O3) produzidos nos incêndios são responsáveis pela redução da qualidade do oxigénio que o pulmão transmite para todo o organismo, potenciando e agravando as doenças respiratórias.
Um estudo português demonstrou há uns anos que um quinto dos bombeiros apresenta lesões nas vias respiratórias semelhantes aos grandes fumadores com mais de 40 anos. A conclusão é do “Estudo sobre a saúde do bombeiro português e impacto respiratório desta actividade”. Ao todo, mais de 20% dos bombeiros referiram falta de ar, pieira e dores no peito. Os sintomas referidos são compatíveis com doenças como a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).