A relação entre o tabaco e o sono nas doenças respiratórias

O tabaco e o sono

Apesar de todos os avisos e interdições, o tabaco ainda tem um enorme efeito sobre a vida de milhões de pessoas, por exemplo como o maior fator de risco para a DPOC.

A nicotina é a substância do cigarro que provoca o vicio do tabagismo. Trata-se de um estimulante que leva a alterações importantes no funcionamento cerebral e também afeta a qualidade do sono.

Efeitos da nicotina no sono

Em geral, o vício da nicotina pode estar associado a sintomas semelhantes aos da insónia. Os seus efeitos são ainda maiores naqueles que já sofrem de insónia por outros motivos.

Os sinais de que não está a descansar o suficiente durante a noite, manifestam-se durante o dia, como a irritabilidade, as dificuldades de concentração, a reacção lenta e a dificuldade em controlar as suas emoções.

Um fumador tem, em média, menos horas de sono por noite e maior dificuldade em adormecer. O sono REM (profundo) é mais curto e estas pessoas acordam mais vezes ao longo da noite. Este facto contribui para agravar os efeitos psicológicos da DPOC.

O tabaco afecta o relógio biológico ao promover o estado inflamatório e ao deprimir os níveis de actividade do cérebro. O fumo diminui a presença da molécula SIRTUIN1, que por sua vez reduz as concentrações de BMAL1. Esta proteína é responsável pela regulação horária biológica no tecido do cérebro e dos pulmões.

Para as pessoas que fumam bastante os sintomas de abstinência – por exemplo, quando ficam algum tempo sem fumar – perturbam o sono normal. Isto acontece uma vez que os níveis de nicotina diminuem ao final da noite/madrugada. Nessa altura existirão alterações no sistema nervoso que forçam o cérebro a acordar para suprimir essa vontade de fumar, independentemente se ainda está cansado e com sono.

O risco de apneia do sono também é relativamente maior, apesar de ainda não se saber bem porquê. É uma área que se encontra em investigação. Alguns estudos revelaram que se a pessoa parar de fumar, a qualidade do sono melhora bastante e o risco de apneias, que correspondem a paragens respiratórias, diminui durante a noite.