A opinião do especialista – A Oximetria de Pulso

A oximetria de pulso é um exame muito simples que consiste em estimar a saturação de oxigénio no sangue. Para isto é utilizado um pequeno aparelho denominado oxímetro de pulso. A grande vantagem é que não existe necessidade de puncioná-lo com uma agulha.

O nível de oxigénio avaliado com um oxímetro é chamado de nível de saturação de oxigénio (abreviado em SaO2). Esta é a percentagem de oxigénio que seu sangue transporta, comparada com o máximo da sua capacidade de transporte. Idealmente, e explicado de um modo muito simples, mais de 94% da hemoglobina nas células vermelhas de uma pessoa com DPOC devem estar ocupadas a transportar oxigénio. 

O aparelho

Um oxímetro de pulso é um aparelho pequeno e simples, que deve ser colocado no dedo da mão. Por vezes, pode ser necessário usar o dedo do pé ou o lóbulo da orelha. Estes pequenos dispositivos são baratos e práticos para o uso em casa ou no hospital.

O valor da SatO2 é determinado porque alguns feixes de luz emitidos pelo dispositivo passam através do sangue no seu dedo (ou lóbulo da orelha).

Os feixes de luz que passam o dedo são “lidos” para calcular a percentagem do transporte de oxigénio. Este método também proporciona a leitura da sua frequência cardíaca (pulso). Deste modo, todo este processo é realizado sem que sinta qualquer dor!

DICA: Para garantir que a leitura do oxímetro é a mais correta, conte o seu pulso por um minuto e compare com o número obtido pelo oxímetro. Se eles são semelhantes, tudo está a funcionar bem.

Devo ter um oxímetro em casa?

Muitos doentes perguntam-nos se é útil adquirir um aparelho destes. A verdade é que a maioria das pessoas não precisa de um oxímetro de pulso.

Em casos mais específicos, o oxímetro de pulso é prescrito pela possibilidade de essas pessoas poderem ter períodos de diminuição súbita da oxigenação sanguínea, como, por exemplo, quando estão se a realizar um esforço.

Ter um oxímetro de pulso nesses casos permitirá que a pessoa possa controlar o nível de oxigénio sanguíneo e saber quando precisam de aumentar o seu fluxo de oxigénio – seja após um esforço, a andar ou em repouso. Obviamente que isto deve ser realizado sempre de acordo com as indicações do seu médico.

O principal problema de algumas pessoas usarem este aparelho, principalmente se sem recomendação médica, é que vão ficar ainda mais ansiosas e preocupar-se sem necessidade. Uma descida de 1 ou 2 % na maioria dos casos não traduz qualquer problema!

O oxímetro versus a gasometria arterial

Um oxímetro avalia indiretamente a quantidade de oxigénio que é transportada pelo sangue. Por sua vez, a gasometria arterial determina diretamente a quantidade de oxigénio transportada pelo sangue e também a de dióxido de carbono. Este valor é importante na DPOC, uma vez que é um sinal de menor ventilação nos alvéolos e permite uma avaliação mais global da situação respiratória da pessoa.

Numa gasometria arterial o sangue é retirado diretamente de sua artéria (normalmente a radial, no pulso), o que pode ser um pouco doloroso. No entanto, como já referi, a gasometria é mais exata e fornece mais pormenores ao seu médico.

Bibliografia: American Thoracic Society

João Cravo

Pneumologista