As causas da DPOC

Tabaco

É demais conhecido que o uso do tabaco está fortemente associado ao aparecimento da DPOC, a mais sintomas, a maior gravidade, bem como a um pior prognóstico. Hoje sabemos também que a carga tabágica (ou seja, a quantidade que uma dada pessoa fuma) está relacionada com a pior evolução da doença, nomeadamente com um maior grau de declínio da função pulmonar.

O maior problema do consumo de tabaco para os pulmões é que o fumo que é inalado provoca uma reação inflamatória muito forte nas vias aéreas. O estado inflamatório da DPOC a longo prazo pode levar a uma maior dificuldade na expulsão do ar previamente inspirado, bem como promove a destruição dos alvéolos (o Enfisema Pulmonar), que são as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas e que permitem que a oxigenação seja eficaz.

Os dados mais recentes apontam que 20-50% dos fumadores têm ou poderão vir a ter DPOC, no entanto, quase 90% dos casos dos doentes com a doença têm ou já tiveram algum contato com o tabaco. Este risco aumenta com o número de anos e de cigarros que se fumam por dia.

Risco Ambiental

A qualidade do ar, dentro e fora de casa, pode ter um papel relevante no risco de desenvolver DPOC. Seja em casa ou no trabalho, existem partículas, gases ou fumos que podem irritar os pulmões e dificultar a sua respiração. Anos e anos com estas agressões continuas desencadeiam processos inflamatórios crónicos nas vias aéreas, que vão estimular a cicatrização excessiva, conduzindo a estreitamento dos brônquios e à destruição dos alvéolos.

Em casa

Verifique se a sua casa é amiga dos seus pulmões: procure e elimine o mofo – está na altura de fazer uma inspeção e uma limpeza geral! Se for muito cansativo ou um processo muito longo, pode dividir essa tarefa por vários dias, uma divisão de cada vez. Certifique-se que elimina completamente o pó e outras poeiras.

É essencial que todas as divisões tenham uma boa ventilação, permitindo a circulação rápida do ar e evitando a acumulação das poeiras e fumos. Isto é particularmente importante quando estiver a cozinhar ou para ajudar a eliminar as poeiras que entrarem para dentro das divisões da sua casa. Isto não ajuda apena a melhorar o controlo da DPOC, mas também a permitir a manutenção da sua saúde no seu todo.

Deve também evitar cozinhar as suas refeições com recurso a um fogo de lenha ou usar qualquer aquecimento com combustível, uma vez que os fumos que emanam são um tiro certeiro para provocar uma exacerbação. Deve existir sempre uma boa ventilação nessas divisões, sejam janelas ou exaustores, para ajudar a dispersar todo o fumo.

Fora de casa

E no exterior, seja na rua ou no trabalho, também deve de ter algum cuidado: A poluição urbana, industrial e os fumos dos tubos de escape dos carros são fatores de risco conhecidos para se desenvolver a DPOC, principalmente se a exposição for crónica. Se prevê que vai estar em contato com ar muito poluído ou perto de uma zona muito industrial pode utilizar uma máscara protetora. Isto é obrigatório se trabalhar em empresas do ramo da construção civil, pedreiras, fundições, entre outros.

 

Exposição ocupacional

Chamamos de exposição ocupacional respiratória aos riscos inalatórios durante ou devido à profissão que a pessoa ocupa, e podem ser decorrentes do trabalho diretamente efetuado pela pessoa ou então ao local onde a labuta diária é realizada, como por exemplo em empregos que necessitem que o trabalhador esteja localizado numa gruta ou uma pedreira.

Na DPOC cerca de 30% dos casos não relacionados com o tabaco são atribuídos a este risco ocupacional, o que significa que não é assim tão raro. E muitos doentes que fumam também têm profissões de risco, agravando ainda mais o risco do desenvolvimento e a rapidez da evolução da doença.

As pessoas que têm profissões em que seja necessário trabalhar em túneis ou grutas são das mais afetadas. Isso deve-se à inalação de poeiras ou partículas como a sílica ou o quartzo. Estas partículas não provocam só DPOC, mas podem levar a doenças como Silicose ou o Cancro do Pulmão. Tal como o fumo do tabaco, esta sujidade irá ser inspirada juntamente com o ar e vai ficar depositada nos seus pulmões, uma vez que é difícil de ser eliminada na expiração, provocando a inflamação crónica dos brônquios com a eventual cicatrização e perpetuação da limitação.

Também as pessoas que trabalham com metais ou ferro podem inalar poeiras e fumos tóxicos. Alguns estudos revelaram que o seu impacto na doença foi tão grave como o efeito provocado pelo fumo do tabaco. E claro que trabalhadores da construção civil também estão em risco, lidando com areias, metais, ferro e outros. Não se deve esquecer que o amianto também pode provocar DPOC, mas podem demorar várias décadas até aparecerem os primeiros sintomas.

Agricultores, trabalhadores de fábricas de roupa, padeiros ou mesmo cabeleireiros, estão em contato com vários tipos de agentes irritantes orgânicos ou biológicos. Nem todos terão acesso facilitado a apoio médico no âmbito da Medicina do Trabalho, pelo que nestes casos o seu médico de família terá um papel fundamental e deve estar atento e saber quando deve referenciar o doente.

 

Risco genético

lgumas pessoas devem o inicio da doença a um defeito genético que está relacionado com o cromossoma 14 e que se designa por Défice de Alfa-1 Antitripsina. O cromossoma é uma sequência de ADN que transporta os genes, as entidades que contém toda a informação genética. Esta doença é hereditária, ou seja, os pais podem passar a doença aos filhos, sem depender do consumo do tabaco ou de outro tipo de exposição de risco, mas isto é pouco frequente e raramente estes casos são muito graves.

 

Outros

Existem vários outros riscos conhecidos para a DPOC:

  • Asma
  • Idade
  • Alterações no desenvolvimento pulmonar durante a gestação
  • Outros
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