As mulheres mais jovens apresentam sintomas mais graves da DPOC

Nos últimos anos tem vindo a ser aprofundado o conhecimento de que existem diferenças entre os dois géneros (masculino e feminino) no diagnóstico e nos sintomas da DPOC. Acredita-se que essas diferenças podem ser mais pronunciadas em adultos jovens. Um estudo, o COPDgene, teve como principal objetivo o explorar as diferenças de género associadas à idade em várias realidades da DPOC. Os seus resultados foram apresentados este mês.

A interação entre a idade e o género foi observada em todas as décadas. Em comparação com homens com DPOC, as mulheres mais jovens com esta doença apresentaram maior probabilidade de dispneia mais grave, maior limitação do fluxo aéreo, maior risco de exacerbações e categorização nos grupos B e D do GOLD. Estes são os graus da DPOC associados a mais sintomas.

Estas diferenças foram menos pronunciadas em mulheres idosas com DPOC. No entanto, as mulheres mais velhas têm maior probabilidade de vivenciar dispneia grave e manifestar um grau de DPOC mais grave (B vs A) do que os homens mais velhos. Isto tem impacto, principalmente porque foram incluídas mulheres com menor consumo de tabaco.

As razões para estas diferenças ainda não são totalmente compreendidas e podem envolver múltiplos mecanismos de interação operando a um nível fisiológico, comportamental e / ou genético. Diferenças de género no relato de dispneia foram sugeridas como tendo uma variedade de explicações, algumas das quais incluíram a influência das taxas da ansiedade e de depressão.  Ambas são tradicionalmente mais elevadas em mulheres.

O fumo do cigarro é o mais importante fator de risco conhecido para a DPOC. Uma possibilidade é que as mulheres sejam mais suscetíveis à sua toxicidade, com maior número de sintomas e declínio da função pulmonar. Há evidências de que o estrogénio, uma hormona sexual feminina, pode mediar as diferenças sexuais no metabolismo do fumo do cigarro, fazendo com que as mulheres sejam mais sensiveis.

Um pormenor importante é o facto de que as mulheres tendem a ter umas vias aéreas menores do que os homens. De tal modo que para cada cigarro há uma exposição proporcionalmente maior a toxinas e a poluentes que provocam inflamação das vias aéreas.