As vias respiratórias

Os pulmões e os seus companheiros

Costuma-se dizer que respirar acontece naturalmente e por isso raramente pensamos sobre a respiração e porque isto acontece, mas a verdade é que nascemos já com uma estrutura preparada para agarrar o oxigénio do ar que tanto é preciso para viver.

Os pulmões são os principais órgãos do sistema respiratório e se os espalmasse e estendesse numa estrada iria reparar que são o segundo maior órgão do corpo humano, a seguir à pele. Se tudo correr bem durante a gravidez, quando nascemos temos um par deles, um de cada lado, e estão ambos localizados na região torácica, estando o coração e mais umas quantas estruturas situadas entre e à volta deles. Se tocasse num pulmão iria reparar que eles têm um aspeto muito esponjoso e elástico, o que permite que eles possam expandir quando inspira o ar e voltar à posição normal rapidamente e sem dificuldades no final da expiração.

A proteger os pulmões estão 2 folhetos muito finos que os revestem, cobrindo-os totalmente e que se chamam de pleura. Entre estes dois folhetos existe um espaço virtual (porque quase não existe) que contém uma quantidade muito pequena de liquido. Se esse volume aumentar ou se entrar ar para essa cavidade isso quer dizer que temos um problema em mãos.

Voltando aos pulmões, eles são divididos em várias zonas que se chamam de Lobos. Cada lobo pode ser ainda dividido em estruturas mais pequenas, os lóbulos. No pulmão direito, encontram-se três lobos: o superior, o médio e o inferior. Já à esquerda, em parte devido ao contato e influência do coração, existem apenas dois lobos: o superior e o inferior. Como deve imaginar, o pulmão esquerdo é um pouco mais pequeno que o direito. O pulmão direito é um pouco maior do que o esquerdo.

Vamos falar também um pouco sobre a respiração. O ar que respiramos entra pelo nariz ou pela boca, flui através da zona que conhece como garganta (faringe) e laringe e entra na traqueia, que se divide em dois tubos ocos chamados de brônquios direito e esquerdo. Estes brônquios, em seguida, dividem-se em brônquios menores. Os pequenos brônquios dividem-se em vias aéreas cada vez mais pequenas, denominando-se de bronquíolos – estes são os “ramos” da árvore respiratória mais pequenos e existem às centenas.

Em resumo, para cima da laringe, temos a chamada via aérea superior. Abaixo desta, são as vias aéreas inferiores, de que falaremos ao longo deste livro, pois são as que são afetadas pela DPOC.

Na zona terminal de cada um destes bronquíolos estão pequenos “sacos de ar”, que lembram um cacho de uva, chamados de alvéolos. É aqui que ocorrem as trocas gasosas, ou seja, o oxigénio inspirado entra no sangue e o dióxido de carbono (CO2) sai do sangue, para ser expulso do organismo, na expiração. O sangue que vem do resto do corpo tem pouco oxigénio, uma vez que este foi usado pelas várias células de outros órgãos e contém quantidades elevadas de dióxido de carbono, que é consequência do metabolismo celular, mas que em valores exagerados no organismo tem efeitos prejudiciais. Após as trocas, o sangue vai chegar de novo ao coração e vai ser bombeado para todos os órgãos para os abastecer de oxigénio, que é o combustível que permite que eles funcionem. Estas trocas são a principal razão de nós respirarmos – sem elas não conseguíamos viver.

Existem vários músculos que participam deste processo, mas o mais importante na inspiração é o diafragma, um músculo em forma de cúpula e que divide o tórax do abdómen. No inicio da inspiração este músculo contrai, ficando completamente horizontal, permitindo que os pulmões aumentem de tamanho, à medida que o ar é atraído para o seu interior. Depois, numa fração de segundo, ocorrem as famosas trocas gasosas essenciais para o bom funcionamento do organismo. De seguida, ocorre a expiração, que é um fenómeno passivo, ou seja, sem necessidade de esforço muscular, em que o ar é expulso do interior dos pulmões e das vias aéreas. Aliás, nesta fase, o diafragma e os outros músculo que foram usados durante a inspiração relaxam e voltam à sua posição normal.

Por fim, toda esta mecânica respiratória é controlada pelo seu sistema nervoso, nomeadamente, por uma estrutura denominada Tronco Cerebral, contando com a ajuda de milhares de dados e informações detetadas por vários sensores espalhados pelo corpo. E é por isso que não deixa de respirar quando está a dormir. A não ser que tenha Apneia do Sono Central, mas isso é outra conversa…

O nariz e as cavidades nasais, que integram a via respiratória superior, para além do seu efeito estético na cara, têm muitas outras funções, bem mais importantes: tem um papel importante na sensação do cheiro, no aquecimento do ar que é respirado, filtram poeiras e outros irritantes do ar, entre outras.

Esta é uma visão muito simplificada das estruturas pulmonares e torácicas. Existem muitos mais pormenores e características que tornam este órgão tão especial e interessante, mas que não acho necessários para que consiga entender o que é a DPOC.