Bronquite Crónica

Ter Bronquite Crónica não significa ter DPOC

Quando estou na minha consulta, ou mesmo no serviço de urgência, e entro em contacto com um doente pela primeira vez, é comum ouvi-lo dizer que tem “Bronquite Crónica” com convicção.

Apostamos que alguns dos seus amigos ou amigas, ou quem sabe o nosso caro leitor, também dizem que têm Bronquite, pela simples razão de que tossem muito. A tosse é sem dúvida a queixa mais referida pelas pessoas com DPOC, mas existe alguma confusão entre Bronquite Crónica e a DPOC, pelo que vamos tentar explicar de uma forma simples, mas clara. Existe alguma confusão entre estas duas doenças, pelo que esperamos que o DPOC.PT possa contribuir para dissipar alguma dúvida.

A Bronquite Crónica, juntamente com o Enfisema Pulmonar, de que falaremos em seguida, faz parte da caracterização da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, no entanto, nem todos os doentes que a têm são obrigatoriamente pessoas com DPOC.

Para se ser correto, só posso diagnosticar uma pessoa com Bronquite Crónica quando ela se queixa de tosse produtiva (ou seja, com expetoração) durante pelo menos 3 meses num ano, em 2 anos seguidos. Estima-se que esteja presente em cerca de 4% dos Portugueses, sendo que a sua prevalência costuma aumentar com o avançar da idade.

É provocada pela presença de inflamação nas vias aéreas que a longo prazo pode condicionar o aumento da espessura das paredes dos brônquios, juntamente com aumento da produção de secreções. Deve estar a pensar que parece muito semelhante com o que falamos noutro espaço sobre a DPOC, mas para se determinar que uma pessoa tem DPOC são necessários alguns critérios que iremos referir adiante.

A inflamação e o acumular de secreções podem levar a uma diminuição do lúmen (o interior) dos brônquios, o que resulta na redução do ar que vai sendo expirado. Vai querer expulsar todas aquelas secreções que se vão acumulando e por isso irá tossir, por vezes várias vezes ao dia. Ao fim de vários anos, este estado inflamatório arrastado pode levar ao desenvolvimento de uma lesão brônquica progressiva e irreversível.

A causa mais importante para o aparecimento da Bronquite Crónica é, sem dúvida, o Tabagismo, seja o do próprio ou o oriundo da inalação do fumo de outras pessoas. A exposição continuada ao fumo do tabaco tem o condão de provocar irritação e inflamação ao longo da mucosa dos brônquios, para além de estimular a produção aumentada de muco, uma vez que as células do pulmão não gostam muito do fumo do tabaco. Mas existem ainda outras causas, como a exposição a fumos e poluentes ambientais, entre outros.

 

Os sintomas da Bronquite Crónica

A principal queixa referida por uma pessoa com Bronquite Crónica é a tosse produtiva, com expulsão de bastantes secreções, principalmente de manhã ao acordar.

Normalmente, a sua cor é esbranquiçada ou com um tom mais cinzento se a pessoa for fumadora, no entanto, se estiver com febre ou existir uma infeção respiratória ao mesmo tempo a expetoração pode ser amarelada ou mesmo esverdeada. Neste caso, deve procurar o seu médico pois pode necessitar de tratamento com antibiótico. Mas não se esqueça, quem decide se precisa ou não deste tipo de medicamento é sempre o médico – não vale a pena contribuir para que as bactérias fiquem resistentes ao antibiótico.

Para alem da tosse, e apesar de menos frequentes, podem estar presentes outros sintomas, como: a falta de ar, principalmente durante o exercício; a sibilância ou pieira; o cansaço ou uma dor nas costas.

Não se esqueça que os sintomas costumam agravar em períodos de maior poluição ambiental ou após um incêndio florestal, por isso, se possível, evite estar em contacto com pós ou fumos.

 

Como se diagnostica?

O diagnóstico da Bronquite Crónica será ponderado pelo seu médico se lhe referir as queixas que falámos uns parágrafos atrás. Infelizmente, estes sintomas são muito pouco específicos e podem ser provocadas por mil e uma doenças o que dificulta e atrasa o diagnóstico.

Na avaliação médica, é importante que se faça uma observação global da pessoa, mas dá-se obviamente um destaque compreensível à auscultação pulmonar, para perceber se existem sons que traduzam alguma alteração nos pulmões ou para confirmar que está tudo bem. Podem ainda ser pedidos alguns exames, como por exemplo, uma Radiografia do Tórax para excluir alterações mais silenciosas ou uma Prova de Função Ventilatória – como a Espirometria.

O tratamento da Bronquite Crónica

Tal como acontece na DPOC, não temos forma de curar a Bronquite Crónica. Sendo assim, o plano terapêutico tem como principal objetivo o controlo da evolução da doença, aliviar os sintomas que esta lhe causa e evitar as temíveis agudizações. Claro que isto só é possível se a medicação for cumprida regularmente e de acordo com o que lhe foi indicado pelo seu médico, por isso não se esqueça de seguir as recomendações.

De uma forma geral, o tratamento pode consistir em:

  • Broncodilatadores, também conhecidos como inaladores, para tentar contrariar a obstrução das vias aéreas inferiores e diminuir a falta de ar e a pieira.
  • Corticóide oral para diminuir a inflamação, sendo bastante importante no caso de um agravamento súbito da doença.
  • A utilização de medicação que degrade o muco não é obrigatória, mas muitos defendem que ajuda na expulsão do excesso de muco.
  • O tratamento com Oxigénio em casa pode ser necessário, se existirem baixos níveis de Oxigénio no sangue. Está associado a uma diminuição da mortalidade.
  • Reabilitação Pulmonar

A cessação tabágica é fundamental nestes doentes, visto que o tabaco é o principal fator provocador desta doença. De certeza que já ouviu isto milhares de vezes, mas não importa, deixar de fumar é fundamental! E como vamos ver, não está sozinho nessa luta e existem vários tipos de ajuda disponíveis.