Como se diagnostica

O diagnóstico da DPOC

Apesar de existir atualmente um subdiagnóstico evidente da doença, ou por outras palavras, uma taxa de diagnóstico de DPOC abaixo do desejável, a verdade é que muita gente também está catalogada com DPOC sem nunca ter realizado uma espirometria, que é fundamental para se determinar a presença ou não da doença.

Primeiro, sem conhecermos a cem por cento como estão a funcionar os pulmões não é possivel alcançar e definir um tratamento de controlo totalmente adequado quer aos sintomas quer à função pulmonar do doente. Segundo, pode dar-se o caso de que a falta de ar ou a tosse que a pessoa sente estarem a ser associados erradamente a uma possível DPOC. Não se esqueça que todos estes sintomas são muito frequentes na DPOC, mas não são exclusivos e podem também aparecer noutras doenças, como as cardiovasculares.

Apesar da importância dos exames de diagnóstico, não se deve menosprezar o poder que uma boa conversa com o doente tem para desvendar este mistério. Só assim se consegue perceber totalmente os sintomas que a pessoa tem, como a sua vida é afetada pela doença, se existem fatores de risco para a DPOC, se existem outros familiares com a doença, etc.

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A Espirometria

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O exame mais simples e mais utilizado para avaliar a capacidade respiratória é a Espirometria, que permite o registro dos vários fluxos ou débitos de ar e fornece dados que quando bem interpretados revelam o estado da função respiratória. Como é bastante fácil de ser executada e tem um elevado valor informativo é o exame mais importante na avaliação de um doente com DPOC.

A palavra espirometria vem do latim spirare = respirar + metrum = medida. Resumidamente, a espirometria determina a velocidade e a quantidade de ar que um indivíduo é capaz de colocar para dentro – inspirar – e para fora – expirar – dos pulmões. É um exame não invasivo, não vai ser picado nem vamos colocar nenhum tubo dentro dos pulmões, e é completamente indolor. Apenas tem que respirar pela boca, através de um tubo conectado a um aparelho (espirómetro) que é capaz de registrar o volume e a velocidade do ar respirado.

Nesta fotografia consegue ver um exemplo de um espirómetro e do seu bucal

As informações mais importantes que se obtém no exame são a FVC – Capacidade Vital Forçada (a quantidade de ar eliminada após se encher o pulmão ao máximo); o FEV1 (o volume no primeiro segundo de uma expiração forçada), e com estes dois valores é permitido o cálculo do índice de Tiffeneau-Pinelli (IF) que é a medida do FEV1 relativa à FVC do indivíduo.

A obstrução ao fluxo expiratório é uma das características mais importantes na DPOC e por isso esta é considerada uma doença obstrutiva. É a espirometria que permite avaliar esse parâmetro e dizer se o valor de FEV1 é menor do que o habitual. Isto acontece porque como existe uma obstrução, o débito inicial será muito menor que o acontece quando os pulmões não têm este problema. O FVC também pode estar diminuído, porque como os brônquios precisam de muito mais tempo para expirar o mesmo que uma pessoa normal.

Nas fases iniciais da doença, o doente pode apresentar valores pouco ou nada alterados, traduzindo o menor impacto da doença na função pulmonar e nos sintomas, pelo que pode até nem referir nenhuma queixa e andar bem da vida. No entanto, é possível que ao longos dos anos esta situação vá agravando.

Para se poder concretizar o diagnóstico de DPOC é necessário que o Índice de Tiffeneau-Pinelli seja <0.7, após realizar a Prova de Broncodilatação, com a inalação alguns minutos antes de um fármaco, o Salbutamol. Esse resultado significa que existe obstrução nas vias aéreas e, por isso, o ar expirado é inferior ao que foi exalado por uma pessoa sem a doença. A realização deste exame com broncodilatação é importante pois é um dos passos que ajuda distinguir entre a DPOC e Asma.

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A Pletismografia

É um teste da função pulmonar que avalia com maior detalhe os volumes pulmonares, ao contrário do estudo anterior que apenas determina os débitos de ar e não a quantidade de ar que está no pulmão em determinado momento.

Este exame é realizado com a ajuda de um pletismógrafo que é uma cabine totalmente fechada, dentro da qual a pessoa vai fazendo movimentos respiratórios, de acordo com as indicações do técnico, e que permite determinar os volumes pulmonares e a resistência das vias aéreas.

Só com a Pletismografia se consegue saber se existe realmente ar “preso” dentro dos pulmões, avaliando para isso a Capacidade Pulmonar Total (o máximo de ar que o pulmão consegue acomodar) e o Volume Residual (o ar que fica no pulmão após a expiração). Na DPOC, principalmente se associada à presença de bastante Enfisema Pulmonar, estes valores estão aumentados devido ao excesso de ar que fica retido nos pulmões no final da expiração.

O exame tem a duração aproximada de 30 minutos.

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Outros exames

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Oximetria: um aparelho mede a saturação arterial de oxigénio no sangue sem necessidade de recolher sangue. É completamente indolor.

Gasometria arterial: consiste em colher um pouco de sangue de uma artéria, normalmente a radial no antebraço, permitindo avaliar os níveis de oxigénio. A pessoa está sentada confortavelmente num cadeirão, com o braço apoiado e totalmente descontraída. Importante para avaliar o nível de oxigénio e dióxido de carbono no sangue.

 

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Difusão de Monóxido de Carbono: avalia a taxa de eficácia das trocas gasosas. Geralmente está diminuída na DPOC, principalmente se existir Enfisema Pulmonar.

Análises sanguíneas: em certas pessoas pode ser pedida a concentração da enzima Alfa-1 Antitripsina ou é necessário avaliar o valor da Hemoglobina.

Exames Imagiológicos: na Radiografia torácica não existem características típicas para a DPOC, apesar de se poder observar Enfisema Pulmonar ou a hiperinsuflação pulmonar. A TAC torácica é mais informativa, permitindo observar e caracterizar o Enfisema Pulmonar, no entanto, este poderá ser provocado por outras doenças.

Prova da Marcha dos 6 minutos: este exame não é usado para o diagnóstico, mas sim para avaliar a gravidade da doença. Pretende determinar a tolerância aos pequenos e médios esforços, através do cálculo da distância máxima que a pessoa consegue percorrer durante um período de 6 minutos.