Controle a ansiedade

Não há dúvida de que as pessoas que apesar de terem uma doença crónica referem uma ótima qualidade de vida e com menos complicações são aquelas que lidam melhor com o fato de terem a doença e que sabem atuar melhor em caso de agravamento dos sintomas, sem ficaram ansiosos ou excessivamente preocupados. Ou seja, estão mais capacitados para terem um papel relevante no tratamento e controlo da sua DPOC. Então, está na hora de falarmos em aligeirar um pouco o stress que esta situação lhe provoca.

Existe muitos motivos para que fique nervoso ou receoso, sejam os relacionados com a própria doença, mas também os que fazem parte da sua vida pessoal, familiar ou profissional, como por exemplo dificuldades em pagar a renda da casa ou a universidade dos filhos, problemas com o companheiro ou doenças de familiares próximos. Quando fica ansioso é provável que transpire mais, fique enervado, comece a respirar muito rápido e claro que vai sentir falta de ar e dificuldade em respirar como deve de ser. Ninguém gosta de ficar assim e por isso é óbvio que fica irritado e comece a evitar executar certas atividades, o que não é recomendável, uma vez que apenas fomenta o seu isolamento social e o sedentarismo, promovendo o maior crescimento dessa ansiedade.

Se acha que se insere nesta situação e nunca falou disto com ninguém, seja por medo ou vergonha, o que acha de na próxima consulta comentar este assunto? Se quiser realmente vencer a DPOC não pode descurar a sua saúde mental.

Na consulta o seu médico vai avaliar a sua situação e perceber se existe realmente motivo para uma intervenção mais ativa, por vezes, basta uma simples conversa para dissipar dúvidas, aligeirar preocupações e transmitir novas competências para reduzir os sintomas e conviver melhor com eles. É importante que também perceba que vai sempre sentir alguma limitação, de modo a que deixe de tentar negar a nova realidade em que se encontra.

Para diminuir o stress e a ansiedade porque não organiza a sua vida de modo a evitar esforços inúteis e a acumulação de atividades cansativas muito próximas? Para além de diminuir a sua fadiga está também a controlar a sua vida – é você que decide quando vai, onde vai e como vai. Se tem acompanhado o DPOC.PT sabe que manter uma nutrição saudável e beber água é importante. É também fundamental que durma e que esse sono seja de qualidade. Por isso, nada de televisão ou computadores no quarto, ou estar a ver fotos do Instagram no telemóvel até tarde. Quando dorme está a descansar o cérebro, os músculos e também a sua ansiedade.

Nos momentos em que sinta que está a perder o controlo emocional respire funde. Conte até 10 com os olhos fechados e pense em coisas positivas. Se reparar que está a respirar muito rápido e de forma superficial, e prevê que vai ficar muito cansado ou entrar em pânico, tente também utilizar algumas medidas de relaxamento respiratório, como por exemplo, inspire pelo nariz profundamente e conte até 3, depois sustenha a respiração e conte até três, momento em que começa a deixar sair o ar pela boca suavemente, ao mesmo tempo que contrai a zona abdominal, durante cerca de seis segundos.

Manter uma vida social saudável e uma vida amorosa e familiar estável também têm um peso considerável na manutenção de uma mente sã. Vá ao café com os amigos, sente-se numa esplanada a conversar ou inscreva-se num Centro de Dia. Se estiver ocupado e divertido não vai pensar tanto na doença. Também o carinho da família é muito importante na vida de todas as pessoas, e não é menos verdade consigo: brinque com os seus netos ou filhos, faça jantares em casa (mesmo que mande vir a comida para não se cansar a cozinhar) e dê passeios com o seu companheiro. Também não deve permitir que a DPOC lhe tire a capacidade de amar.

Noutros casos, principalmente em situações mais graves ou preocupantes, existem medicamentos, conhecidos com ansiolíticos ou mesmo os antidepressivos, que podem ser usados para travar pensamentos mais perigosos ou inadequados e levantar o moral.

Se está ansioso e preocupado de um modo quase constante, como se nunca desligasse a lâmpada do stress na sua cabeça, é possível que possa entrar em depressão. Quando está deprimido ainda tem menos vontade de sair de casa, ou mesmo de levantar da cama, está constantemente triste, zangado ou irritado e até pode deixar de comer (e já sabe que é mau não se alimentar adequadamente, certo?) ou criar pensamentos erráticos. Se for o seu caso, ou se algum dia estiver próximo desta fase, é ainda mais urgente tomar a iniciativa de pedir ajuda ao seu médico. O mesmo nível de preocupação e de atenção também se aplica para quem cuida de pessoas com DPOC ou os familiares destes.

Algumas pessoas pensam que tomam um antidepressivo e ficam logo no paraíso, mas não é bem assim. Estes medicamentos demoram algumas semanas a fazer o seu efeito e deve estar atento para alguns dos seus efeitos indesejados, como aumento da ansiedade (eu sei, é estranho, mas pode acontecer), náuseas, tonturas, diminuição da vontade para a relação sexual, entre outros. Normalmente estes efeitos adversos são leves e passageiros, passando à medida que o seu corpo se habitua a eles. Como não deveria ser necessário dizer, apenas deve tomar esta medicação se for recomendado e prescrito pelo seu médico.