Cuidados Paliativos na DPOC

Paliar na DPOC

 

Este é um dos temas mais difíceis de falar com uma pessoa que tem a DPOC. A maioria dos doentes nunca vai precisar de cuidados paliativos, mas alguns efetivamente sim, e é importante que se dêem a conhecer, até para que as pessoas estejam informadas e se consiga pressionar os governos e dirigentes responsáveis pela Saúde a aumentar o acesso a esta importante modalidade. Para além disso, muitos doentes ou os seus familiares não querem ouvir sequer falar sobre Cuidados Paliativos, muitas vezes por medo, mas também, e em grande parte, por algum desconhecimento.

Um doente com DPOC muito grave pode sentir bastante desconforto físico, tal como a sensação de dor, dificuldade respiratória, náusea ou cansaço. Pode ainda sentir angústia, ansiedade, depressão, ou mesmo pensamentos destrutivos. Neste tipo de doentes, o mais importante para o médico não deverá ser estar preocupado com a função pulmonar, mas sim retirar-lhe a dor, aliviar a sua sensação de falta de ar e melhorar a incapacidade física e emocional. Este tipo de cuidados é o que se chama de cuidados paliativos e espero que este capítulo esclareça todas as suas dúvidas sobre este assunto.

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Os cuidados paliativos são uma intervenção multidisciplinar no doente e na sua família, de acordo com as suas necessidades – mais do que com o seu diagnóstico. Surgiram como entidade médica na década de 60, como “cuidado de fim da vida”, e era prescrito quando havia apenas uma pequena hipótese de cura da doença ou de devolver à pessoa uma vida “normal”. Esta definição evoluiu para englobar também o doente com desconforto ou aflição. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o cuidado paliativo como um sistema de recursos que melhoram a qualidade de vida dos pacientes e das suas famílias, na parte terminal da doença, existindo uma esperança de sobrevivência muito curta.

Alguns doentes sofrem com a falta de ar e o cansaço ao mínimo esforço e os cuidados paliativos têm como objetivo prevenir ou adiar esses sintomas, promover o bem-estar, a dignidade das pessoas e a sua autonomia. Sabe-se que a falta de ar na fase terminal da DPOC é muito comum e pode ser controlada através de vários métodos que vão da simples prescrição de uma ventoinha até ao uso de fármacos opióides, normalmente com uma excelente resposta. Estes cuidados podem ser proporcionados em primeira linha pelo seu médico assistente, mas em alguns casos são necessárias equipas de Cuidados Paliativos, a Medicina da Dor, ou mesmo o aconselhamento legal.

Apesar de tudo muitos doentes recusam estas medidas. Primeiro, porque pensam que isto quer dizer que o seu fim está próximo e preferem evitar pensar nesta hipótese, negando a realidade. Em segundo, também os familiares/cuidadores são fundamentais nesta equação e tem que ser ouvidos, pois isto também os irá afetar. No entanto, alguns recusam que sejam iniciados estes cuidados, pois associam este facto a uma desistência do cuidado do doente por parte do profissional de saúde.

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Onde se faz?

Na sua forma mais simples, o médico de família ou o médico hospitalar que o segue podem oferecer ações paliativas básicas, nomeadamente no alívio da dor, falta de ar, ansiedade e depressão, etc, seja otimizando a sua terapêutica, como instituindo medidas não farmacológicas potenciadoras da qualidade de vida. Caso sejam necessários cuidados mais intensivos ou específicos, deve-se referenciar o doente a uma equipa especializada em cuidados paliativos, que inclui médicos, enfermeiras, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, apoio na dimensão espiritual ou religiosa, entre outros.


Apesar de melhoria nos últimos anos, o acesso a Cuidados Paliativos é ainda muito reduzido face as necessidades do nosso país. Isto deve-se a problemas organizacionais, questões financeiras e alguma dificuldade em consciencializar alguns médicos, doentes e familiares para esta possibilidade.  As orientações médicas mais recentes afirmam a necessidade de se melhorar bastante este aspeto.