Deixe de fumar

A cessação tabágica

O primeiro passo para viver melhor com a DPOC passa por eliminar o tabaco do seu dia-a-dia. Se tem DPOC, é muito provável que fume ou já tenha fumado alguma vez na vida.

A cessação tabágica é a intervenção com maior capacidade para alterar o curso natural da doença, impedindo que agrave ainda mais e altere de forma definitiva a sua vida, uma vez que o tabaco é um dos principais fatores de risco para o aparecimento e progressão da doença. Este risco é diretamente proporcional ao número de cigarros que fuma por dia.

As pessoas que estão motivadas para abandonar o tabaco e que manifestem esta vontade podem ser direcionadas para uma consulta de Cessação Tabágica, já presente em muitos Hospitais e Centros de Saúde. Aqui encontrará médicos e outros profissionais de saúde com formação específica sobre como ajudar as pessoas a deixar de fumar.

 

A intervenção dos profissionais de saúde é uma ajuda preciosa, no entanto, para que haja sucesso é fundamental haver motivação da parte da pessoa com a doença e que fuma. As consultas especializadas são constituídas por uma equipa multidisciplinar composta por médico, psicólogo, nutricionista e enfermeiro. Só desta forma se consegue elaborar um plano individualizado, intensivo e prolongado no tempo, capaz de responder a todas as questões/ problemas que surgem no caminho percorrido durante o processo de cessação.

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As vantagens

Nos primeiros 20 minutos após ter fumado o último cigarro já existe uma diminuição da tensão arterial. Também o valor de monóxido de carbono baixa em poucas horas, e isto tem um efeito positivo no valor do oxigénio no sangue. À medida que as semanas passam, estes benefícios vão sendo cada vez mais evidentes. Os estudos apontam para uma diminuição para metade do risco de ataque cardíaco após um ano sem fumar. Após 15 anos sem fumar, esse risco é sensivelmente o mesmo do que o de uma pessoa não fumadora. O risco de cancro do pulmão diminui, tornando-se próximo de um não fumador ao fim de 10 anos sem fumar.

A luta

É mais do que sabido que deixar de fumar é difícil, tratando-se de um processo muito duro e longo. A nicotina é uma substância aditiva, pelo que parar de fumar pode ter efeitos físicos e psicológicos que apenas podem ser debelados com ajuda farmacológica, psicológica e com a preciosa motivação do fumador.

 

 

Os sintomas de privação são mais intensos nas primeiras 72h após o último cigarro e nesse período de adaptação pode sentir mais irritabilidade, tristeza, falta de energia, isolamento, entre outros. Nos momentos em que a vontade de fumar é grande opte por distrair a sua mente, mantenha as suas mãos ocupadas, saia do local onde se encontra, beba um copo de água, masque uma pastilha elástica, conte até 10 ou respire fundo. Se está motivado a deixar de fumar é importante adquirir um estilo de vida mais saudável para que o objetivo seja atingido de forma mais leve.

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Controlo adequado das outras doenças

Manter a motivação durante o processo de cessação tabágica é essencial para obter sucesso. De forma a alcançar o seu objetivo é crucial que não tenha outros “problemas” a desviar a atenção do seu foco. Cumpra toda a medicação prescrita pelos seus médicos, só assim terá as outras doenças controladas e se poderá concentrar nesta batalha. Isto é ainda mais importante se tiver alguma doença psiquiátrica, como ansiedade ou depressão.

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Controlo de peso

Vários fumadores, principalmente os mais jovens e do género feminino, referem que existe aumento de peso após deixarem de fumar. Isto ocorre devido à diminuição do metabolismo basal e/ou ao aumento da ingestão calórica porque a comida passa a cheirar e saber melhor.

O exercício físico regular é essencial para evitar o ganho excessivo de peso, no entanto, se este aumento de peso for um problema sério para o doente, deve ser elaborado um programa nutricional personalizado ou então optar pelos medicamentos que estejam associados a menor aumento de peso.

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Tratamento comportamental

 O objetivo deste tipo de tratamento é o de alterar o comportamento do doente dependente, como é o caso do fumador, e envolve a auto-ajuda e o aconselhamento. Neste tipo de terapia fomenta-se um estilo de vida saudável, competências para enganar o vicio da nicotina, entre outras.

O tratamento comportamental envolve, frequentemente, uma consulta com o apoio psicológico ou psiquiátrico de acordo com as necessidades identificadas pelo médico que o acompanha na cessação tabágica.

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Tratamento farmacológico

A utilização de fármacos aumenta substancialmente o sucesso da cessação tabágica.   Os fumadores que desejam abandonar este vício devem ser encorajados a iniciar terapêutica farmacológica exceto se existir alguma contraindicação absoluta. Os doentes com eventos cardiovasculares recentes ou com patologia psiquiátrica requerem atenção especial na prescrição farmacológica.

Estão disponíveis para a cessação tabágica alguns fármacos, os que contêm nicotina (TSN) e os que não (bupropiona SR e vareniclina). Todos são eficazes e seguros sempre que prescritos de forma personalizada.

 

A TSN contém nicotina, a substância responsável pelo desenvolvimento da dependência ao tabaco. Ao administrar nicotina por outro meio que não o cigarro evita-se o contacto com todos os outros componentes tóxicos do cigarro conseguindo-se “programar” o desmame dessa substância. É importante que esteja alerta que a nicotina em excesso tem efeitos secundários, nomeadamente cardiovasculares, pelo que se estiver a fazer este tratamento não pode nem deve continuar a fumar. A terapêutica com nicotina pode ser administrada através de um sistema transdérmico (ou seja, um penso na pele), gomas ou pastilhas, entre outros.

A bupropiona tem um destaque maior em doentes que apresentem sintomas tipicamente depressivos, podendo atuar de forma ativa, mas também preventivamente.

A vareniclina é um fármaco que impede que a nicotina se ligue aos seus recetores no cérebro e faz com que este deixe, aos poucos, de se “lembrar” da nicotina. Tem bastantes benefícios clínicos e a duração do tratamento ronda os 3-6 meses.