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Provas de Função Respiratória e DPOC
Provas de Função Respiratória e DPOC
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A espirometria

Espirometria é um exame que permite o registro de vários volumes do fluxo de ar. A palavra espirometria vem do latim spirare = respirar + metrum = medida. Resumidamente, a espirometria determina a velocidade e a quantidade de ar que um indivíduo é capaz de colocar para dentro – inspirar – e para fora – expirar – dos pulmões.

É um exame não invasivo e indolor. O doente respira pela boca através de um tubo conectado a um aparelho (espirómetro) que é capaz de registrar o volume e a velocidade do ar respirado.

espirometro

Múltiplas variáveis são obtidas mas as mais importantes são a CVF – Capacidade Vital Forçada (a quantidade de ar eliminada após se encher o pulmão ao máximo e esvaziar o máximo); o VEF1 ( o volume no primeiro segundo  de uma expiração forçada) e com estes dois valores é permitido o cálculo do índice de Tiffeneau  (IF) que é a medida do VEF1 relativa à CVF do indivíduo.

Adaptado

                              Adaptado

Estes parâmetros, juntamente com outros, permitem por exemplo distinguir entre doenças obstrutivas e restritivas respiratórias.

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Espirometria na DPOC

A obstrução ao fluxo expiratório é uma das características mais importantes da DPOC. A espirometria permite avaliar esse parâmetro e dizer se está menor do que o habitual. Nas fases iniciais da doença a espirometria pode apresentar valores pouco ou nada alterados. No entanto, com a utilização de exames seriados (ou seja, ao longo dos anos), consegue-se obter uma visão da evolução da função pulmonar.

Para se fazer o diagnóstico de DPOC é necessário que o Índice de TIffeneau seja <0.7, após realizar broncodilatação. Isto quer dizer que existe obstrução e por isso o ar expirado é menor.A realização deste exame com broncodilatação é importante pois é este passo que permite distinguir entre a Asma e a DPOC, a partir das provas funcionais.

E porquê? Porque teoricamente ambas são doenças obstrutivas e por isso apresentam IT baixo, no entanto, sabemos que a broncoconstrição na Asma é em parte reversível com o recurso a fármacos que dilatam esses mesmos brônquios. Tal não acontece com a DPOC que tem broncoconstrição nada ou muito pouco reversível e por isso mantém o IF baixo mesmo após o recurso a estes fármacos. Para além disto, o FEV1 após broncodilatador é o valor que nos dá o melhor fator predito de prognóstico a longo prazo, pelo que é importante para o médico.

DPOC?: FEV1/FVC (IT) após BD < 0,7 (GOLD)

Considera-se Broncodilatação Positiva: Alteração de 12% e 200ml no FEV1 e/ou FVC.

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GRAVIDADE ESPIROMÉTRICA?

Sempre após Broncodilatação!

  • DPOC Ligeira
    • FEV1 >80%
    • IT <70%
  • DPOC Moderada
    • FEV1 50-80%
    • IT <70%
  • DPOC Grave
    • FEV1 30-50%
    • IT <70%
  • DPOC Muito Grave
    • FEV1 <30%
    • IT <70%

No entanto, avaliar a gravidade da doença apenas pelas alterações nas provas funcionais é insuficiente. Deve-se também avaliar a presença ou não dos sintomas ou o histórico de exacerbações.

Atualmente, preconiza-se que deve ser realizado, pelo menos, uma vez ao ano.

 

Rastreios

A realização de rastreios de forma generalizada é controversa. No entanto, nas NOCs da Direção Geral de Saúde defende-se que pessoas com mais de 40 anos de idade e fumadores devem realizar espirometria anual.

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Pletismografia

A pletismografia é um teste de função pulmonar que avalia os volumes pulmonares permitindo outro tipo de informação e maior conhecimento do que a realização apenas da espirometria. Assim permite-nos obter informações essenciais para a caracterização dos distúrbios presentes nas doenças respiratórias.

Este exame é realizado com a ajuda de um pletismógrafo que é uma cabine totalmente fechada na qual o paciente permanece fazendo movimentos respiratórios e permite determinar os volumes pulmonares e a resistência das vias aéreas. O exame tem a duração aproximada de 30 minutos.

pletismografia

Entre os volumes pulmonares, que se podem observar na figura abaixo para o diagnóstico de DPOC, é importante conhecer o Volume Residual; Capacidade Funcional Residual e a Capacidade Inspiratória.

Como doença obstrutiva que é a DPOC, num doente tipo devemos encontrar volume residual e capacidade funcional residual com valores superiores ao normal, por dificuldade em expirar o ar que se inspirou previamente, e que por essa razão se vai acumulando. Esse aumento na quantidade de ar que está sempre dentro dos pulmões vai também dificultar a capacidade dos pulmões irem enchendo com ar e por isso diminui o volume de ar que se consegue inspirar.

Conclusão: VR e CRF aumentadas; CI diminuida

PFR

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Outro exames

Oximetria

Os doentes com FEV1<50% ou com insuficiência respiratória, devem ser avaliados em cada consulta, pelo menos, com o valor da oximetria, que traduz a saturação de oxigénio no sangue.

A oximetria não substitui a necessidade de gasometria arterial na avaliação do doente em exacerbação.

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Gasometria Arterial

Permite avaliar a hipoxémia (níveis baixos de Oxigénio – O2 – no sangue), hipercápnia (níveis elevados de dióxido de carbono – CO2 – no sangue) e também se existe académia, em contexto de acidose respiratória, que pode ser uma consequência de uma exacerbação de DPOC.

Permite definir a presença ou não de um dos tipos de insuficiência respiratória:

  • IR tipo 1 ou parcial
    • Pressão arterial de O2 < 60 mmhg
  • IR tipo 2 ou global
    • Pressão arterial de O2 < 60 mmhg
    • Pressão arterial de CO2 > 45 mmhg

Quando se trata de um doente crónica, é possível que ele consiga tolerar bem a hipercápnia. Existe uma ajuda renal, que conserva o bicarbonato, a fim de evitar a acidémia.

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Difusão de Monóxido de Carbono

Utiliza o Monóxido de carbono (CO) para avaliar a transferência (neste caso, a difusão) de gases. Geralmente, o valor (DLCO) está diminuído na DPOC (na Asma, está normal ou aumentado), representando um provável processo de destruição alveolar. Vão estar envolvidos no processo de difusão um menor número de alvéolos, o que explica uma diminuição neste parâmetro. Aliás, um valor normal de DLCO não exclui DPOC.

Existe alguma associação entre a DLCO e a extensão do enfisema, no entanto, este valor não é especifico para o enfisema nem traduz de forma fidedigna a gravidade da doença.

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Testes de exercício: o mais usado é a prova de marcha dos 6 minutos.

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Ver também Informação para doentes
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