Estadiamento da DPOC

Como se definem as classes da DPOC?

Para o médico que vai tratar de si não basta saber que tem DPOC para que já o possa tratar eficientemente, uma vez que um doente com uma DPOC mais grave é completamente diferente de um doente com uma versão mais ligeira. E não se trata apenas de aumentar ou diminuir a dose de um medicamento, muitas vezes é mesmo a distinção entre um doente fazer medicação de grupos farmacológicos muito diferentes, mas também ao nível de outras recomendações, nomeadamente a Reabilitação Respiratória.

Para tornar o estadiamento, ou por outras palavras, a estratificação por níveis de gravidade da doença, mais simples e uniforme, os médicos utilizam principalmente a classificação da Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD). Trata-se da linha orientadora para o diagnóstico, tratamento e controlo de todos os doentes com DPOC, que agrupa os estudos mais recentes para que o seu médico tenha segurança e confiança para tratar os doentes.

Existem três parâmetros importantes nesta classificação GOLD: os sintomas do doente (que são avaliados pela escala mMRC e/ou CAT), o valor de FEV1 e o número de exacerbações/internamentos no último ano. A utilização de mais do que um parâmetro diminui a risco de uma avaliação incompleta da gravidade da doença. A utilização de apenas um valor, como por exemplo o FEV1 obtido na espirometria, corresponderia então a uma visão parcial do grau da DPOC, induzindo um erro potencialmente irreversível no seguimento destes doentes.

Com a atualização destas guidelines no final de 2016, a avaliação funcional respiratória deixou de fazer parte da classificação no grupo A, B, C ou D, o que acontecia até então. Agora, utilizam-se apenas os sintomas e a história recente de agudização da doença para inserir os doentes em cada grupo, que são os seguintes:

  • A: poucos sintomas, baixo risco
  • B: muitos sintomas, baixo risco
  • C: poucos sintomas, risco elevado
  • D: muitos sintomas, risco elevado

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Os Sintomas

 

Mais do que a função pulmonar ou outro parâmetro, são os sintomas, como a falta de ar ou a tosse, que mais o vão afetar e diminuir a sua qualidade de vida, e provavelmente são o motivo de vinda ao médico. Para avaliar objetivamente os sintomas de cada doente utilizam-se questionários usados em todo o mundo, devendo-se usar sempre o mesmo em todas as consultas. O GOLD privilegia o uso do CAT ou do mMRC.

Os doentes com resultados de >9 no CAT ou >1 no mMRC, são considerados muito sintomáticos, sendo classificados, independentemente da outra variável, no grupo GOLD B ou D.

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As exacerbações

 

Hoje sabe-se que a ocorrência de uma agudização aumenta as probabilidades de se ter outra no ano seguinte, e se essa agudização necessitar de internamento hospitalar, o risco ainda é maior. O seu efeito na função pulmonar raramente é recuperável, mesmo a longo prazo, podendo deixar sequelas na forma como o sistema respiratório funciona no dia-a-dia.

Foi decidido que um doente é classificado de alto risco se tiver tido 2 ou mais exacerbações de DPOC ou pelo menos uma 1 exacerbação que tenha motivado internamento hospitalar nos 12 meses anteriores.

Se assim for, será inserido, independentemente das outras variáveis, no grupo GOLD C ou D.

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E as Provas Funcionais Respiratórias?

 

Apesar de o FEV1 ter sido excluído da divisão nos 4 grupos referidos anteriormente, ainda tem um papel importante para a classificação GOLD. De fato, continua a ser um fator de prognóstico importante na previsão da evolução da doença. Atualmente, os responsáveis dividem os doentes também em 4 grupos: 1, 2, 3 e 4.

 

  • GOLD1– FEV1 Pós-Broncodilatação > ou = a 80% do previsto
  • GOLD2– FEV1 Pós-Broncodilatação 50-79%
  • GOLD3– FEV1 Pós-Broncodilatação 30-49%
  • GOLD4– FEV1 Pós-Broncodilatação < 30%

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A importância desta classificação

 

Em conclusão, A DPOC é uma doença complexa em os doentes não devem ser tratados todos da mesma maneira, pelo que usando mais do que um parâmetro na avaliação do estado geral da pessoa tirar uma fotografia a três dimensões da doença, ajudando a que rapidamente o seu médico consiga adaptar e escolher o melhor tratamento para si.

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Para saber mais sobre os grupos GOLD A, B, C e D