O que é

A Exacerbação da DPOC

Uma exacerbação não é mais do que um agravamento súbito dos sintomas habituais e crónicos da DPOC. Trata-se, portanto, de uma alteração no grau da sensação de falta de ar habitual, em que muitas vezes também surge a pieira e o aparecimento ou agravamento da tosse seca ou produtiva (com expetoração), para além da sua variação diária habitual, e que é suficiente grave para justificar uma mudança no plano de tratamento, quer com a introdução de medicação durante esta fase aguda quer ajustando a medicação que faz habitualmente para controlar melhor a doença. Muitas vezes pode ter febre associada e nesse caso trata-se provavelmente de uma exacerbação secundária a uma infeção.

Esta agudização pode ter origem em inúmeros estímulos ou agentes agressores que desequilibram o equilíbrio do organismo, cuja causa mais frequente parece ter origem na já falada infeção respiratória, no entanto, existem várias outras razões. Entre estes, refere-se o incumprimento da medicação habitual, quer por dificuldade na utilização dos inaladores ou por esquecimento, o contacto com fumos, a poluição, a exposição ao ar frio ou à temperatura quente, entre muitos outros, no entanto, em alguns casos não é possível perceber o que provoca este agravamento.

Apesar do tratamento hospitalar adequado e mesmo após as pessoas apresentarem uma melhora significativa com critérios para alta hospitalar, cerca de um terço destes doentes regressam ao serviço de urgência com uma nova agudização em menos de 14 dias. Uma parte desses doentes necessita de hospitalização, arriscando-se a entrar num ciclo vicioso de agravamento progressivo a cada agudização, o que aumenta o risco de uma nova exacerbação e daí em diante.

Vários estudos revelaram que metade das pessoas não sabem que estão a sofrer uma exacerbação, pois já estão habituadas a variações frequentes dos seus sintomas. Outra razão apontada é a recusa na procura de cuidados médicos, por receio da própria doença. O conhecimento adequado sobre a DPOC pode permitir que estas pessoas reconheçam mais cedo quando estão realmente piores, permitindo um auxílio célere por parte dos profissionais de saúde.

De um modo simples, as exacerbações podem ser agrupadas em 3 grupos:

  • Exacerbações que podem ser tratadas em casa.
  • Exacerbações que requerem hospitalização.
  • Exacerbações com falência respiratória grave e a necessidade de medidas diferenciadas de suporte das funções vitais, ou seja, internamento em Unidade de Cuidados Intensivos.

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O problema das agudizações recorrentes

 

Algumas pessoas apresentam bastantes episódios de agudização por ano, o que que normalmente relacionamos com um agravamento rápido da função respiratória e a um maior grau de inflamação nas vias respiratórias. Estes doentes merecem uma atenção redobrada, visto que cada exacerbação agrava o seu estado geral, prejudica a sua capacidade pulmonar e acarretar maior risco de mortalidade precoce. Uma exacerbação agrava bastante o risco de se ter uma outra a curto prazo, desenhando um ciclo vicioso.

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Uma agudização da DPOC não diz respeito apenas ao pulmão

 

A DPOC cada vez mais é vista como uma doença inflamatória que envolve mais órgãos e sistemas do que apenas os pulmões. Por isso, uma agudização da doença não se traduz apenas por aumento da falta de ar ou mais tosse, mas também pode apresentar-se por outras queixas ou sintomas.

Uma pessoa com DPOC pode apresentar um agravamento da função cardiovascular que se vai instituindo ao longo dos anos, desenvolvendo o que se chama de Cor Pulmonale. Esta doença corresponde a um tipo de Insuficiência Cardíaca e que pode a qualquer momento ficar descompensada, causando edemas (inchaço) nas pernas ou pés, retenção de liquido, para além da falta de ar e outras queixas.

Outro potencial problema, especialmente em doentes que tenham bastantes bolhas de Enfisema Pulmonar, é a possibilidade de se desenvolver um Pneumotórax, que é a presença de ar no espaço entre as pleuras que revestem os pulmões, e que normalmente apenas contém uma pequena quantidade de liquido e nenhum ar. As pessoas geralmente sentem uma dor nas costas do lado onde existe essa acumulação de ar, com dificuldade em respirar, e às vezes com sensação do coração estar a bater muito rápido. É uma situação urgente, pelo que deve ser tratada o mais rápido possível, normalmente com a inserção de um dreno torácico, que é um tubo que é colocado por entre as costelas lateralmente, ligado a um recipiente fechado com água.

Existe também uma outra situação que é o aumento exagerado da hemoglobina no sangue, como tentativa de compensar o baixo valor de Oxigénio no sangue. No entanto, se este aumento for exagerado pode trazer complicações que podem manifestar-se como alterações na visão ou na sensibilidade periférica. Só em casos muito graves é que se atua nestes casos, nomeadamente com a realização de uma flebotomia.