Reabilitação Respiratória

No serviço de Pneumologia do CHBV iniciará em 2020 a Reabilitação Respiratória

  • Prova de Esforço Cardio-Respiratória
  • Plano de treino dirigido a patologia respiratória
  • Consulta multidisciplinar

 

Localização: Unidade de Aveiro

Reabilitar

Reabilitar alguém significa “re-habilitar ou voltar a habilitar” essa pessoa a desempenhar funções ou tarefas para as quais perdeu capacidade ou habilidade.

Uma doença crónica como a DPOC, à medida que vai evoluindo afeta não só os pulmões, que por sua vez de forma direta ou indireta, provocam frequentemente sensação de dispneia (desconforto a respirar) e cansaço, alterações nos músculos (fraqueza, fadiga), alterações cardiovasculares (hipertensão, insuficiência cardíaca), alterações metabólicas (osteoporose, diabetes), alterações nutricionais (excesso de peso ou magreza), alterações psicológicas (ansiedade, depressão, medos, pânico) e restrições sociais (isolamento, limitação na participação para as tarefas básicas do dia-a-dia, no trabalho e no lazer).

 

O que é a Reabilitação Respiratória?

A DPOC pode assim ter um impacto a vários níveis, que são específicos de cada pessoa em função do estadio, gravidade e resposta individual à doença, pelo que a Reabilitação Respiratória (RR) deve ser uma intervenção abrangente, multidisciplinar, individualizada, baseada numa avaliação minuciosa.

Tem como principais componentes o treino de exercício e a educação do doente e família visando a mudança de comportamentos, com vista a melhorar a condição física e psicossocial dos doentes com doença respiratória crónica e promover a adesão a longo prazo de comportamentos promotores de saúde.

Outras intervenções como a fisioterapia respiratória, a psicoterapia, o aconselhamento nutricional, a terapia ocupacional e apoio social, podem também fazer parte do programa de RR.

Quais os benefícios da Reabilitação Respiratória?

A RR é uma intervenção que tem sido muito investigada nos últimos anos, sobretudo por médicos e fisioterapeutas. Não existem quaisquer dúvidas sobre os seus enormes benefícios, apesar de haver doentes que melhoram mais do que outros, algo que parece estar relacionado muito com o tipo de intervenção que é feita, a sua duração e a adesão do doente. Sobretudo no que diz respeito à mudança de comportamentos, como respeitar um plano de ação para prevenir e gerir as exacerbação, fazer atividade física de forma regular, evitar fatores de risco e prevenir as infeções fortalecendo o sistema imunitário (vacinação, boa alimentação, evitar o stress e dormir bem).

Os benefícios da Reabilitação Respiratória, comprovados cientificamente, são a melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde, o aumento da tolerância ao esforço, a melhoria da capacidade para realizar as tarefas do dia-a-dia, a redução dos sintomas (dispneia, cansaço, tosse, expetoração), a redução das exacerbações e/ou da sua gravidade, redução do número de consultas não programadas, hospitalizações e dias de internamento, o aumento da esperança de vida e uma maior eficácia na gestão da doença pelo doente e familiares/cuidadores.

A reabilitação respiratória é benéfica para a maioria dos doentes com DPOC. No entanto, todos os doentes com DPOC beneficiam da realização de atividade física de forma regular. Não existe assim um programa de Reabilitação Respiratória (PRR) para todos os doentes, existem sim diferentes PRR que são ajustados às necessidades de cada doente.

 

Quais as componentes da Reabilitação Respiratória?

Naturalmente que a primeira componente não podia deixar de ser uma avaliação minuciosa da condição clínica do doente (física, psicológica, nutricional, social), pois só assim é possível identificar os problemas que podem ser melhorados pela reabilitação e estabelecer um programa ajustado às necessidades individuais de cada doente.

A identificação das possíveis contraindicações para a RR é também um dos objetivos principais da avaliação (ex. cardiopatia isquémica/ angina instável, insuficiência cardíaca congestiva descompensada, arritmia não controlada, cardiomiopatia hipertrófica, diabetes mellitus não controlada, entre outras).

O treino de exercício é uma fundamental no PRR. Na sua ausência, os ganhos obtidos na capacidade funcional, na redução dos sintomas e na qualidade de vida são pouco significativos.

O treino de exercício tem dois tipos que devem sempre existir: treino aeróbio ou de resistência e treino de força. Estas modalidades devem ser complementadas com treino de flexibilidade e quando necessário treino de equilíbrio (ex. risco de queda). A prescrição e a supervisão do treino devem ser feitas por profissionais habilitados na área do treino de exercício (médicos e fisioterapeutas), pois existem riscos e só alcançamos beneficio se o modo, a intensidade, duração e frequência forem ajustados ao doente.

Em algumas pessoas é necessário que o treino seja realizado com fornecimento de oxigénio suplementar (obrigatório se já necessitar em repouso), para a manter a saturação de oxigénio no sangue sempre superior a 90% (avaliada com um oxímetro).

A educação do doente e familiares/cuidadores é outra componente muito importante do PRR, pois permite que o doente e família ganhem maior capacitação (empowerment) para gerir mais eficazmente o impacto da sua doença crónica, aumentem a adesão à terapêutica e adotem comportamentos promotores de saúde e bem-estar.

A educação consiste na informação e formação dos doentes e cuidadores em temas como: (1) a DPOC (2) medicação, oxigenoterapia e ventiloterapia (3) gestão dos sintomas respiratórios (4) estilos de vida saudável (5) gestão do stress e ansiedade (6) plano de ação para o controlo das exacerbações. Vários profissionais estão normalmente envolvidos nas diferentes sessões educativas, como o médico, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, terapeuta ocupacional, entre outros.

Além da educação e treino de exercício, outras componentes podem ser adicionadas ao PRR em caso de necessidade, como a fisioterapia respiratória, terapia ocupacionala intervenção psicológica, nutricional e social.

A fisioterapia respiratória envolve a avaliação e intervenção relacionada com a aplicação e ensino de técnicas de remoção de secreções ou higiene brônquica (instrumentais e não instrumentais), os exercícios de controlo respiratório (ex. expiração com os lábios semicerrados, a respiração costo-diafragmática, o posicionamento para reduzir a dispneia), os exercícios de expansão pulmonar, o treino dos músculos respiratórios, o treino de técnicas de conservação de energia e o relaxamento.

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