Tratar no Hospital

Por vezes é necessário ficar internado.

A decisão de internar uma pessoa com uma agudização da sua DPOC na enfermaria de um hospital decorre da interpretação por parte médico da sua situação, nomeadamente da gravidade da falta de ar, do grau de insuficiência respiratória, se existiu uma resposta insuficiente ao tratamento no serviço de urgência bem como a presença de uma infeção grave ou de algumas comorbilidades descompensadas. São muitos fatores a ter em conta pelo que tomar a decisão certa nem sempre é fácil.

Existem orientações que servem como referência na atuação médica e que apoiam a necessidade de hospitalização dos doentes com níveis muito baixos de oxigénio ou com grande retenção de dióxido de carbono, ou por outras palavras, a presença de insuficiência respiratória relevante. Outros fatores que caracterizam um doente de alto risco incluem a existência de uma exacerbação até 7 dias antes, o uso abusivo de inaladores de alívio (medicação em SOS), se já está a cumprir oxigenoterapia em casa ou se tem uma exacerbação apesar de tratamento recente com corticosteroide e/ou antibiótico (em que existe falência do tratamento anterior).

Nestas situações é preferível que fique uns dias internado no hospital, a fazer o tratamento conforme prescrito pela equipa médica e, se tudo correr bem, ao fim de uns dias poderá ter alta para casa e para junto da sua família. No hospital pode iniciar tratamento com um ventilador não-invasivo, fazer tratamento (antibióticos, entre outros) diretamente na veia, de modo a ter um efeito mais rápido, e estar um pouco mais vigiado.

É importante que perceba que os médicos costumam evitar que fique internado porque o Hospital é um local onde estão outras pessoas com infeções, seja na urgência ou nas enfermarias, e apesar de todos os cuidados, não é possível eliminar a 100% a possibilidade de ocorrer a transmissão de uma infeção hospitalar, seja respiratória, urinária ou outra. Por isso, não pense que quando o seu médico diz que é melhor tratar-se em casa isso quer dizer que não está a valorizar a sua doença, mas sim deve entender isso como uma preocupação com o seu bem-estar.