Não deixe de amar

Este tema não é o mais discutido numa consulta médica, em parte por vergonha do doente, mas também por parte do profissional de saúde, principalmente nas primeiras consultas em que ainda não existe muita confiança. Claro que há sempre uma ou outra pessoa mais extrovertida e que pergunta sobre este assunto, o que é de salutar, porque é um assunto deveras importante!

É normal que as pessoas com têm uma doença pulmonar crónica sintam algum grau de preocupação com as consequências desta doença na vida amorosa, nomeadamente a dificuldade em conseguir manter uma sexual razoável. O receio dos doentes prende-se com o medo de ter falta de ar ou outro sintoma da doença durante o ato ou que seja o fator desencadeador de uma exacerbação. Ou mesmo que isto provoque uma crise no seu casamento ou relação. O sexo é uma parte importante na vida de muitas pessoas e isso não tem que mudar porque tem DPOC.

As pessoas que falam comigo disto abertamente perguntam, por vezes na brincadeira, quando é a melhor altura para ter sexo? A verdade é que, segundo os especialistas na matéria, não existe uma altura certa ou errada para se iniciar uma relação sexual, incluindo quem tem DPOC. No entanto podem haver alturas em que a tolerância aos esforços é maior para uma pessoa com esta doença, e por isso, aconselha-se o ato sexual quando se sentir mais descansado, relaxado e sem a sensação de falta de ar. Pode ser necessário planear com antecedência, principalmente se tiver um grau de DPOC mais avançado, mas isso não deverá ser um impeditivo para uma vida amorosa estável.

O essencial é que esteja confortável e relaxado/a, e o seu companheiro/a também. Não se esqueça que o cansaço vai agravar com a relação sexual, e por isso a respiração poderá ser afetada, e deve aprender a gerir melhor o esforço nesses momentos.

Sempre que possível deve tentar fazer a limpeza das vias aéreas antes de começar a relação, tossindo e libertando-se da incomodativa expetoração acumulada. Outra forma de minimizar os acessos de tosse durante o sexo é evitar o período da manhã, quando a tosse é mais propicia. Se possível, a relação deve ser posterior à inalação do tratamento de controlo da doença, uma vez que nessa fase a broncodilatação estará no seu máximo e é menos provável que tenha sintomas da DPOC. São pequenos detalhes que podem fazer toda a diferença!

Se necessitar de oxigénio de forma continua poderá sentir-se desconfortável a utiliza-lo durante o sexo. No entanto, é perfeitamente seguro ter relações sexuais enquanto o estiver a usar. Deve haver uma boa relação entre o casal e esta realidade deve ser bem falada pelos dois, de forma a evitar problemas e a fortalecer a relação. A melhor interface para a prática sexual é a cânula nasal.

Também as pessoas que precisam de ventilação não-invasiva (VNI) podem pensar que a vida sexual é uma coisa do passado. Nem pensar, não tem que ser assim. Se for bem discutido entre ambos, a vida sexual poderá continuar, pois a VNI não impede o ato sexual. Apenas é preciso haver mais paciência e colaboração de ambos, uma vez que o principal problema é se o aparelho acaba a ir parar ao chão, se se tratar de um casal muito imaginativo.


Todos os tipos de atividade física, incluindo o sexo, podem causar falta de ar. Normalmente, é apenas passageira, e após algum repouso tudo volta ao habitual.  Se uma pessoa tiver momentaneamente falta de ar durante o sexo, deve fazer uma pausa, realizar algumas respirações lentas e profundas, que também ajudam a relaxar, e logo que esteve revigorado ponde continuar.

Por fim, outra questão frequente é sobre quais as melhores posições para quem tem DPOC. Durante o sexo, é importante manter o diafragma livre e evitar demasiado peso sobre o tórax, que possa restringir o movimento e a respiração. A Fundação Britânica do Pulmão recomenda aos seus doentes  tentarem uma posição em que os dois parceiros fiquem deitados de lado, com ambos de frente um para o outro, ou então com um por trás do outro. Pode-se optar também pela posição em que uma das pessoas fica numa posição superior – pode ser melhor para o parceiro que tem DPOC ficar por baixo, uma vez que leva a menor dispêndio de energia. É importante que a pessoa por cima não faça demasiada pressão sobre o peito da pessoa com a doença.

Neste site encontra um GUIA explicativo sobre este assunto!