O que é a DPOC

O que é

Esta sigla estranha, com quatro letras e que algumas pessoas têm dificuldade em pronunciar, são as iniciais de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Esta doença faz parte do grupo das patologias respiratórias e é mesmo uma das mais importantes e frequentes em Portugal e no Mundo, e por isso é estudada principalmente pela Pneumologia.

Como o próprio nome indica, é uma doença crónica, que pode e deve ser evitável, mas que infelizmente ainda não tem nenhuma forma de cura disponível. Resumidamente, é caracterizada por uma obstrução progressiva e persistente na passagem do ar pelas vias respiratórias (nomeadamente os brônquios e as suas várias divisões mais pequenas) e está associada a um estado inflamatório não só nessas zonas, mas sabe-se agora que afeta todo o corpo.

Na maioria dos casos, é provocada por uma resposta anormal do organismo a algumas partículas inaladas ou a gases nocivos, a maior parte provenientes do tabaco, mas também de lareiras e de fogões a lenha/carvão, entre outros.

A DPOC vai afetar a respiração que é um fenómeno que acontece mesmo que não esteja a pensar nele, pois é uma função corporal autónoma e regulada pelo cérebro. Quando respira existe uma divisão percetível em duas fases: a inspiração (a entrada de ar para os pulmões, pelo nariz ou boca) e a expiração (a saída desse ar). No interregno dessas duas fases, e durante alguns microssegundos, ocorrem as trocas gasosas entre o ar e o sangue nos alvéolos pulmonares.

O grande problema na DPOC é que, principalmente em doentes com graus mais avançados da doença, os brônquios e as suas divisões mais pequenas são submetidos a episódios inflamatórios quase contínuos e que vão levar a uma limitação da saída de ar dos pulmões. Ou seja, o ar fica retido nos pulmões, pois não é completamente expulso durante a expiração. Esta inflamação maciça pode provocar também destruição dos alvéolos, alterando a dinâmica respiratória habitual e normal e levar a uma diminuição clara na capacidade respiratória da pessoa.

Existe de facto uma associação com o tabagismo – 90% dos doentes com DPOC foram ou são fumadores, mas não se limita apenas a estes. Podemos dizer que a prevalência desta doença é maior em pessoas fumadores, com mais de 40 anos de idade, caucasianos (raça branca) e do género masculino (isto é alvo de debate!). Estima-se que esteja presente em 10% da população (ainda que muitos deles não estejam diagnosticados), e em 50% dos fumadores.

É uma das principais causas de diminuição da qualidade de vida e de aumento da mortalidade a nível mundial, prevendo-se que essa influência irá crescer na próxima década (será a terceira causa de morte). Os grandes responsáveis por esta importância crescente no ranking da mortalidade são a epidemia do tabaco (só agora começam a sentir-se os efeitos do início tardio do tabagismo nas mulheres), o envelhecimento da população e o melhor controlo dos fatores de risco cardiovasculares (que resultou em menos mortes por esse tipo de doenças).

É também uma importante fonte de despesa para todo o serviço nacional de saúde, nomeadamente com os custos associados à ida destes doentes aos serviços de urgência e internamentos hospitalares, mas também para as pessoas que têm a doença, dado que necessitam de comprar medicamentos que são relativamente caros e precisam de se deslocar para as consultas, ou mesmo realizar alguns exames para estudar melhor a situação.

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