O Tabaco

O papel do tabagismo

Foi na década de 60 que surgiram os primeiros estudos que associaram o tabaco a doenças como o cancro, doenças cardíacas e vasculares e também a várias doenças respiratórias. Nessa altura não existiam entidades regulatórias muito rigorosas, pelo que devido a pressão da indústria tabaqueira esses resultados foram sempre contestados e abafados e só algumas décadas depois foi declarada uma guerra formal ao uso do tabaco.

O tabaco é o principal culpado pelo desenvolvimento da DPOC- não existem dúvidas. Isto acontece quer a pessoa fume quer tenha contato frequente com o fumo do tabaco de forma passiva, seja no trabalho, no café ou em casa. Inalar o fumo do cigarro de outras pessoas também é perigoso.

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A nicotina

 

Os cigarros vendidos ao público, nas tabacarias e outras superfícies, apresentam mais de 4200 substâncias tóxicas. São responsáveis por várias doenças, seja o cancro, doenças cardíacas ou respiratórias e a Nicotina é o componente que provoca no cérebro a dependência do tabaco.  Devido ao seu efeito aditivo, é muito difícil dizer que uma pessoa está curada a cem por cento. Existe sempre o risco de voltar a pegar “só num cigarro” e deitar tudo a perder. Porque nunca é apenas “só um” …

A razão porque as pessoas ficam viciadas na Nicotina já é conhecida. Existem uns receptores no cérebro que quando são ativados pela Nicotina produzem a sensação de calma e prazer, que todos os fumadores referem, e é esta substância a responsável pelos sentimentos “positivos” de fumar. No entanto, quando esses recetores que estavam ativados perdem o contato com a nicotina, inicia-se o chamado “período de privação”, com os seus sintomas indesejados e desagradáveis: a dor de cabeça, a ansiedade, a agitação, a necessidade urgente de fumar, etc. E são estas queixas que tornam tão difícil parar de fumar, e são responsáveis pelas baixas taxas de sucesso das Consultas de Cessação Tabágica.

É demais conhecido que o hábito de fumar está fortemente associado ao aparecimento da doença, a mais sintomas, a maior gravidade, bem como a um pior prognóstico. Hoje sabemos também que a carga tabágica (ou seja, a quantidade que uma dada pessoa fuma) está relacionada com a pior evolução da doença, nomeadamente com um maior grau de declínio da função pulmonar.

O maior problema do consumo de tabaco para os pulmões é que o fumo que é inalado provoca uma reação inflamatória muito forte nas vias aéreas. O estado inflamatório da DPOC a longo prazo pode levar a uma maior dificuldade na expulsão do ar inspirado, bem como ajuda a ocorrer a destruição dos alvéolos (o Enfisema Pulmonar), que são as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas e que permitem que a oxigenação seja eficaz.

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Os números

Os dados mais recentes apontam que 20-50% dos fumadores têm ou poderão vir a ter DPOC, no entanto, quase 90% dos casos dos doentes têm ou tiveram algum contato com o tabaco. Este risco aumenta com o número de anos e de cigarros que se fuma.

Os dados em Portugal são assustadores. Em 2015, um terço da população fumava ou tinha fumado recentemente e o tabagismo foi o responsável direto por 11% das mortes no país. Existe ainda um maior predomínio dos homens: 31% versus 22% nas mulheres.

Infelizmente, as estatísticas revelaram que os fumadores com DPOC apresentam maior consumo de tabaco e maior dependência do mesmo, comparando com os fumadores que não têm DPOC. É de fato um problema importante e que torna ainda mais complicada a abordagem a estes doentes.