Os diferentes graus da DPOC

A DPOC é apenas uma doença, mas que pode ter várias apresentações e que os seus doentes não são todos iguais. Com a classificação GOLD, juntamente com a avaliação espirométrica, conseguimos dividir os doentes em quatro grupos principais e que nos ajudam a orientar e perceber melhor que tipo de doente temos. Para saber mais sobre o diagnóstico visite a nossa página.

Resumidamente, a DPOC ligeira é, como o nome indica, a forma mais leve de DPOC e a DPOC muito grave a mais preocupante. A maioria das pessoas descobre que têm DPOC durante os graus mais ligeiros, mas algumas só têm procuram ajuda e diagnóstico já na fase mais avançada, ou seja, já com uma função pulmonar muito diminuída. De qualquer forma, estas não são classificações estanque, ou seja, fixas e definitivas, podendo em alguns casos existir alguma mudança, principalmente se existir um controlo efetivo dos sintomas e das exacerbações.

Não existe nenhuma cura conhecida para a DPOC ou mesmo uma maneira de eliminar o tecido já danificado dos pulmões ou das vias aéreas. No entanto, é importante lembrar que se a DPOC de uma pessoa for detetada ainda durante os estágios iniciais, com a adoção de um plano de tratamento e de estilo de vida adequado e otimizado, é possível diminuir e atrasar a evolução da doença.

 

DPOC Ligeira

Muitas das pessoas com este grau de DPOC nem sequer sabem que estão doentes, isto porque os sintomas ou ainda não apareceram ou são muito ligeiros, não preocupando a pessoa em demasia. Por exemplo, as pessoas podem pensar que têm apenas uma típica “tosse de fumador” que dura por um par de semanas ou meses e produz mais secreções do que o que seria normal, mas na sua cabeça isso não faz acender o alarme de que pode estar algo errado consigo.

As queixas mais referidas são a falta de ar durante o exercício ou uma caminhada mais longa; o cansaço; uma tosse seca, geralmente diária; alterações no sono, entre outras. Em muitos casos nem sequer existem queixas. Estes doentes têm também uma história de poucas ou nenhumas exacerbações e não necessitaram de internamento para tratar algum episódio de agudização recente. Em geral, a função pulmonar destes doentes ainda está pouco afetada, podendo mesmo este parâmetro apresentar valores relativamente normais.

 

DPOC moderada

Uma grande parte das pessoas na altura do diagnóstico da DPOC já está inserida neste grupo em que os sintomas já são mais frequentes e graves, obrigando-os a ir ao médico para obter ajuda. De facto, nesta fase as queixas são tão incomodativas que começam a interferir com as atividades diárias, mesmo as mais simples, como ir às compras, lavar o chão ou tomar conta de um neto mais irrequieto. Como seria de esperar, é provável que a obstrução brônquica seja um pouco mais acentuada nesta fase em relação à anterior.

 

DPOC Grave

Nestes doentes o comprometimento pulmonar começa a provocar problemas respiratórios mais graves e frequentes, e é normal que tenha mais exacerbações ou vindas ao hospital devido a agudizações da DPOC. Também a nível do tratamento existem diferenças em relação às fases anterior, pois em regra são necessários um maior número de medicamentos ou grupos farmacológicos diferentes, e algumas pessoas podem mesmo precisar de oxigenoterapia no domicilio.

 

DPOC Muito Grave

É nesta fase que a pessoa tem os sintomas mais graves, mais frequentes e que podem limitar de forma quase total a sua vida, em que até tomar banho ou preparar o pequeno almoço podem ser tarefas bastante complicadas. A tosse torna-se mais frequente e é cada vez mais difícil limpar o muco produzido em excesso pelas células inflamadas das vias aéreas. A maioria das pessoas necessitam de muitos tipos de medicação, inaladas ou não, sendo fundamental para alguns destes doentes o recurso a tratamento com oxigénio para oxigenar razoavelmente os tecidos e células do corpo. Em alguns casos pode ser necessário um ventilador não-invasivo para impedir a acumulação de dióxido de carbono.

As exacerbações ocorrem frequentemente e podem ser suficientemente graves para exigir tratamento hospitalar. Como uma exacerbação aumenta o risco de se ter outra, esta pessoa pode ter várias num ano. A atividade física de qualquer tipo pode ser muito difícil de tolerar, mas é muito importante permanecer o mais ativo possível, apesar das dificuldades em consegui-lo. Por isso, nestes doentes a Reabilitação Respiratória tem um papel essencial e é uma das medidas com melhores resultados em aliviar o sofrimento e a limitação provocados pela doença.

O estado inflamatório, entre outras causas, é a responsável pelo baixo peso que algumas pessoas têm e que ainda prejudica mais a capacidade de a pessoa conseguir respirar melhor.