Os sintomas da DPOC

O que sentem os doentes?

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As pessoas recorrem aos serviços de saúde na maioria dos casos principalmente devido aos sintomas, no fundo, as queixas que o estão a incomodar ou assustar, e o que querem é saber o que elas são, porque acontecem e como as tratar. Os sintomas da DPOC são muito incomodativos e afetam a vida diária.

Qualquer pessoa deve estar atenta e caso alguns destes sintomas surjam deve falar com o seu médico de família a fim de saber se existe algum motivo de preocupação. É importante que consiga explicar com o máximo de detalhe possível o que o aflige para que não se perca tempo desnecessário.

Apesar da gravidade das queixas desta doença, muitas pessoas que viveram toda a sua vida com DPOC e nunca o souberam. Em grande parte, este desconhecimento é uma triste realidade porque essas pessoas nunca desconfiaram que os sintomas ou queixas que sentiam pudessem estar relacionadas com uma doença – muitas das queixas que uma pessoa com DPOC refere são associadas a consequências naturais do avançar da idade ou do uso do tabaco.

Na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, os doentes podem apresentar vários sintomas. As pessoas convivem com a doença de diferentes maneiras, nenhum doente é completamente igual ao outro, no entanto, apesar de haver alguma ligeira variabilidade ao longo do dia, é possivel que vá ter sintomas todos os dias mesmo que esteja a cumprir fielmente com tratamento de controlo elaborado pelo seu médico.

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A falta de ar

É um dos sintomas mais importantes e frequentes, agravando à medida que o tempo passa. É a principal responsável pela incapacidade e pela limitação na vida diária determinada pela DPOC e está associada à perda da função pulmonar, ou seja, o pulmão funciona pior. Por vezes, é tão grave e intensa que impede as pessoas de fazerem as tarefas mais simples e pode até revelar-se quando estiver a falar ou parado.

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A tosse

Pode ter tosse durante todo o dia, mas ocorre principalmente durante a manhã ao acordar. Por vezes, é o primeiro sintoma, mas é muito pouco valorizado pela maioria das pessoas. Ocorre em 50% dos doentes que são fumadores. Estima-se que um doente com DPOC tosse em média 21 vezes por hora.

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A expectoração

Existe uma produção crónica de secreções respiratórias, que pode ter diferentes características ao longo do tempo. Geralmente, tem a coloração acinzentada ou branca, mas pode ser esverdeada ou amarela, durante as agudizações, provavelmente em relação com a presença de uma infeção respiratória.

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A pieira

Trata-se de um som agudo que surge quando a passagem de ar nos brônquios é turbulenta, provocada por vários fatores: a contração muscular brônquica, a presença de secreções ou outras causas.

Estes são os sintomas mais importantes da DPOC, mas podem existir mais:

  • Uma dor torácica, nomeadamente na zona das costas, principalmente  quando tosse
  • Cansaço e perda de peso
  • Se tossir muitas vezes, principalmente se esforçar, pode ocorrer perda de sangue junto com a expectoração
  • Depressão

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A evolução destas queixas

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Na maior parte dos casos, agravam de forma continua, lenta e progressivamente, pelo que o doente vai-se adaptando a elas, dando-lhes importância apenas quando a sua intensidade é demasiado forte para aguentar e a doença já tem alguma gravidade.

Os sintomas da DPOC são muitas vezes piores no inverno, especialmente em anos muito frios, e é frequente que possa ter duas ou mais crises por ano, se bem que se cumprir a medicação recomendada este número deverá ser bem menor. Uma exacerbação (que debateremos noutro capítulo) acontece quando os seus sintomas são particularmente mais graves em relação ao habitual. A exacerbação de DPOC é a principal causa de internamento por patologia respiratória na Europa e em Portugal é a segunda causa, após o internamento por Pneumonia.