Outras causas

A influência do sexo e da idade

 

A DPOC afeta sobretudo pessoas com mais de 40-50 anos e a maioria tem mesmo mais de 70 anos, mas não é uma doença dos mais velhos. Nas pessoas mais novas, o desenvolvimento de DPOC está normalmente associado a défices genéticos ou a uma história de exposição profissional.

Esta doença é o resultado de vários anos de exposição ao tabaco, fumos, poluentes industriais ou outros agentes irritantes, que provocam lesões inflamatórias que vão sendo combatidas pelo próprio organismo, mas com o passar dos anos, existe uma acumulação de tecido cicatricial, bem como uma menor capacidade de contrariar a contração do músculo da parede brônquica.

Nenhum género, seja o feminino ou o masculino, é considerado fator de risco para se desenvolver DPOC, ao contrário do que se pensava inicialmente. Alguns autores referem que agora as mulheres são mais propensas a ter DPOC.

 

A situação económica tem um papel?

        

Os dados apontam para uma maior prevalência de DPOC em pessoas com baixos rendimentos económicos. Porquê? Primeiro, existe uma maior incidência do tabagismo em pessoas economicamente mais desfavorecidas. Segundo, este grupo está mais exposto aos fumos e a outros tipos de poluição ambiental, quer por viverem em zonas menos recomendadas, quer pelo risco profissional. Infelizmente, devido aos custos elevados do tratamento ou por dificuldade em pagar o transporte para vir a uma consulta, existe uma menor adesão à terapêutica por esta franja da população.

        

Alterações no desenvolvimento pulmonar

 

Existe um efeito do tabaco sobre o desenvolvimento do feto, principalmente, na formação dos órgãos respiratórios, pelo que as grávidas são recomendadas para deixar de fumar.

Por vezes, a ocorrência de várias infeções pulmonares durante a infância ou se o parto foi prematuro (antes das 38 semanas de gestação), podem promover alterações na dinâmica pulmonar, o que eventualmente predispõem ao desenvolvimento da DPOC. A exposição ao fumo do tabaco dos pais em casa ou no carro, ou à poluição da cidade ou das fábricas, pode ser responsável por alterações graves na função pulmonar e no próprio pulmão.

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O papel da Asma

 

A maioria das pessoas associa a Asma a uma doença de crianças e adolescentes, no entanto, sabemos que existe Asma em pessoas mais idosas, incluindo pessoas que nunca a tiveram em criança!

O seu sintoma ou sinal principal é a pieira, que é um som agudo parecido a um assobio que se ouve durante a respiração e que é provocado pela passagem do ar nos brônquios obstruídos. Uma pessoa asmática também costuma sentir falta de ar, dor no tórax, para além de outros sintomas menos frequentes, como a tosse seca, batimento cardíaco acelerado ou dor de cabeça. Normalmente, estas queixas são provocadas e mais frequentes durante exacerbações agudas, quando a doença deixa de estar controlada. Existem vários fatores agravantes conhecidos, desde o pólen, a poluição, o frio ou o calor extremo, o ar seco entre outros.

A questão da relação entre a Asma e a DPOC é ainda controversa e alvo de um intenso debate sobre a ligação entre as duas doenças. Apesar de ser ainda muito discutível, considera-se que a Asma pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da DPOC, nomeadamente se a pessoa for fumadora. Suspeita-se que a Asma, embora seja uma doença obstrutiva reversível e variável, após vários ciclos de inflamação e de respostas protetoras do organismo que condicionam alterações na parede das vias aéreas, torna-se menos reversível e com sintomas mais frequentes e diários.