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Oxigénio em viagens de avião
Oxigénio em viagens de avião
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Atualmente, os aviões das companhias aéreas podem atingir altitudes de cruzeiro acima de 12.192 m (40.000 pés), sendo que a cabine é pressurizada a partir dos 1,829-2,438 m (6000-8000 pés). Nesta posição, a concentração de oxigénio existente no ar é muito menor, e os doentes com DPOC podem apresentar uma queda drástica na pressão parcial de oxigénio no sangue: entre 25 a 30 mmHg. Esta diminuição é explicada pela curva de saturação da hemoglobina com o oxigénio.

Ou seja, doentes com DPOC sem queixas e sem necessidade de oxigénio de longa duração habitualmente, poderão apresentar hipoxémia devido à diminuição da pressão parcial de O2. Outros efeitos podem ser o surgimento ou agravamento das queixas de dispneia, pieira, cianose ou da insuficiência cardíaca.
Embora complicações, como a morte, devido a uma causa puramente respiratória ocorra muito raramente durante um voo, a frequência de eventos menos graves, incluindo o agravamento dos sintomas depois de sair do avião, pode ser subestimada.

avião

Se a situação já é assinalável numa viagem em um voo comercial padrão, que é pressurizado, a preocupação é maior no caso de viagens em aviões não pressurizados, como os que fazem viagens entre-ilhas ou deslocações entre regiões.

Por curiosidade, as máscaras de oxigénio que existem na parte superior da cabine dos aviões, por cima do seu assento, caiem automaticamente sempre que o computador do avião deteta alteração na pressurização do avião, pois a diminuição do oxigénio iria trazer efeitos graves, tal como a perda de consciência, o que seria, por exemplo, muito perigoso para os pilotos, resultando numa catástrofe.

O médico deve estar disponível para responder e ajudar o doente nas suas dúvidas acerca das viagens:

  • Deve ser estimado o grau esperado de hipoxémia em altitude
  • Identificar as comorbilidades que podem levar a agudização da doença
  • Prescrever O2, se necessário

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Prescrição de Oxigénio 

É recomendado que a pressão arterial de oxigénio (PaO2) durante a viagem deve ser mantida acima dos 50 mmHg (6,7 kPa).

De uma forma geral, o tratamento com 2-3 L de Oxigénio por catéter nasal irá compensar a pressão parcial de O2 inspirado que é perdida a partir dos 2.438 m (8.000 pés) – existem fórmulas que ajudam a calcular a prescrição ideal. Para os pacientes com maior risco, o objetivo deve ser o de manter a PaO2 durante a viagem de avião no mesmo patamar no qual o paciente está clinicamente estável habitualmente.

Deve ser também ponderada a prescrição de oxigénio em doentes que vão viajar para destinos cuja altitude é muito superior ao local habitual de residência.

Para saber as especificações do transporte de oxigénio para as companhias aéreas mais frequentes em Portugal e no Brasil consulte esta página.

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Outros riscos

A literatura recente sugere que a embolia pulmonar é um fator de risco para alguns passageiros numa viagem avião. Isso parece estar relacionado com a duração do voo e os fatores predisponentes, inerentes ao doente. Os pacientes com DPOC apresentam um risco igual ou maior do que a população em geral. O número de passageiros com DPOC e hipoxémia que apresentam paragem cardiorespiratória, acidente vascular cerebral, convulsões ou embolia pulmonar durante o voo é desconhecido.

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