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Reabilitação e Exercício Físico
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Exercício e Reabilitação Pulmonar

Como o próprio nome diz, “DPOC” é a doença pulmonar obstrutiva crónica, onde a sensação de dispneia durante exercício físico moderado ou até mesmo em repouso, é bastante comum. Deste modo, pode existir uma diminuição da atividade física, que leva ao descondicionamento físico com consequente atrofia muscular, diminuição da capacidade física e da capacidade cardiovascular, com repercussões na sua qualidade de vida. O doente entra assim num ciclo vicioso, com cada vez menor tolerância ao exercício físico, dispneia, cansaço fácil, levando muitas vezes a situações de dependência nas atividades de vida diária e de depressão.

A otimização da terapêutica farmacológica é essencial para um melhor controlo destes doentes.

Também o exercício físico pode ter um importante papel para a melhoria da qualidade de vida e prognóstico dos doentes com DPOC. Estes beneficiam dos programas de treino, evitando a progressão e até mesmo regredindo este ciclo vicioso, melhorando a tolerância ao exercício e reduzindo os sintomas de fadiga e dispneia, com aumento da autonomia para as atividades de vida diárias. Estudos realizados sugerem mesmo uma melhoria da performance cognitiva, talvez devido ao aumento de irrigação sanguínea cerebral.

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O doente com DPOC deve ter um esquema de treino individualizado consoante as comorbilidades associadas e o grau da doença.

Numa fase inicial, deverá ser realizada uma história clínica detalhada, aferindo o estado cardiovascular do doente, permitindo uma estratificação de acordo com a necessidade de medicação ou de vigilância durante o exercício.

A bicicleta ou passadeira estáticas servem para fazer uma avaliação da tolerância ao exercício, tendo em conta variáveis fisiológicas como o consumo de VO2 máximo, frequência cardíaca máxima, valor máximo de exercício efetuado ou até mesmo, num método menos preciso mas mais fácil de obter em ambulatório, através da avaliação da distância percorrida pelo doente em 6 minutos.

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Após esta avaliação, podemos dar início ao programa de reabilitação, submetendo o doente a um esquema de treino de intensidade moderada, inicialmente com supervisão, o que numa primeira fase, irá permitir que este se aperceba de qual o grau de esforço ideal para atingir determinada frequência cardíaca e ganhando confiança quanto aos seus próprios limites.

Idealmente o exercício não deverá ser parado devido à dispneia (recomenda-se que o treino seja efetuado numa frequência cardíaca abaixo da que apresentou na prova de 6 minutos de marcha). Esta é também a melhor altura para individualizar a intensidade, duração e frequência do treino.

Após esta fase, o doente encontra-se confiante o suficiente para prosseguir o esquema de treino sozinho, devendo no entanto manter acompanhamento médico.

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Atualmente, recomenda-se a realização de treino de exercício físico moderado todos os dias. No entanto já se considera benéfica a realização de pelo menos 3 dias por semana durante cerca de 15 minutos (mínimo para se obter resultados positivos).

Em traços gerais (ainda que com as necessárias adaptações), recomenda-se um esquema de treino aeróbio (caminhada, bicicleta ou passadeira) de cerca de 15 minutos nas primeiras sessões, aumentando gradualmente até atingir 30-40min por sessão de treino após as primeiras 4 semanas. Um maior ênfase deverá ser dado aos membros inferiores, pois são essenciais para a realização das tarefas diárias (andar, subir/descer escadas, etc.). Ainda assim, e como existem muitas tarefas com predomínio dos membros superiores, também deverá ser incluído um período de treino de força dos membros superiores.

Também aqui, o esquema deverá ser prescrito individualizadamente, com ênfase nos principais grupos musculares e de modo a que permita (pelo menos) a realização de uma série com 8 a 12 repetições. Com a melhoria da condição física, o doente beneficiará com o aumento do número de séries.

É importante aconselhar o doente o uso da medicação antes e durante a prática de exercício físico. Assim com chamar à atenção dos sinais de alarme para parar o exercício e recorrer a ajuda médica, tal como a precordialgia, náuseas, tonturas ou vertigens. A dispneia é um sintoma transitório que deverá desaparecer com a diminuição da intensidade do exercício físico. Ainda assim se persistir, deverá parar e descansar.

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Dois pontos importantes a acrescentar é a importância que a cessação tabágica assume nessa problemática, pois é a única medida comprovadamente eficaz no retardamento da deterioração respiratória na DPOC. E não esquecer também a importância de um bom aconselhamento nutricional, pois se por um lado é essencial para a prática de exercício físico saudável, por outro verifica-se muitas vezes nos doentes com DPOC um estado de subnutrição, o que leva a um pior prognóstico.

DPOC.PT agradece a colaboração do Dr. Vítor Pinheiro (Medicina do Trabalho e Pós-Graduação em Medicina Desportiva)

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