Retenção de CO2

O que é o dióxido de carbono?

O dióxido de carbono (CO2) é um gás que circula no ar e que representa cerca de 0,03% da atmosfera terrestre. É também um “gás residual” e um subproduto do metabolismo do corpo. Ou seja, os processos bioquímicos que ocorrem nas células e que são necessários para sustentar a vida.

Durante o metabolismo, o oxigénio é usado e o CO2 é produzido. O CO2 é principalmente removido do corpo através dos pulmões quando uma pessoa expira. De um modo geral, o nível elevado de CO2 no sangue é uma indicação de que os pulmões não conseguem eliminar o dióxido de carbono de acordo com as suas necessidades.

Mesmo numa pessoa saudável pode ocorrer uma elevação de CO2 durante uma doença aguda. Nas pessoas com DPOC isto também pode acontecer. No entanto, provavelmente a causa mais frequente de retenção do dióxido de carbono na DPOC deve-se a efeitos de iatrogenia, ou seja, do uso de oxigénio.

A maioria das pessoas com DPOC “acostumam-se” a uma nova “linha de base”, onde o nível de CO2 no sangue é maior do que em pessoas saudáveis. Estes doentes conseguem viver normalmente sem apresentarem muitos dos sintomas e sinais associados à retenção de CO2.

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Sinais e sintomas da retenção de CO2 (hipercápnia)

A presença de um alto valor de CO2 no sangue é conhecida como hipercápnia e pode causar vários sintomas. Desde dores de cabeça, letargia, sonolência, confusão e, caso seja grave, ao coma e à morte.

As pessoas com hipercápnia podem apresentar sinais como a pele mais vermelha/roxa e quentes ao toque, e podem também apresentar “tremor” nas mãos. É bastante comum existir uma coloração roxo dos lábios e dos dedos.

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Como o oxigénio causa hipercápnia?

Por vezes o tratamento com oxigénio pode causar ou piorar a hipercápnia por vários mecanismos diferentes, incluindo:

  • Mudar drasticamente a relação entre a troca de ar e o fluxo sanguíneo dentro dos pulmões, resultando na menor remoção de CO2.
  • Reduzindo o “estimulo para respirar”. Uma pessoa saudável depende do dióxido de carbono para respirar. As pessoas com DPOC e que já estejam habituadas a altos níveis de CO2 podem ficar “menos sensíveis” ao valor de dióxido de carbono. Nessa situação, o valor de oxigénio passa a ser o responsável por assegurar que a pessoa continua a respirar normalmente. Assim , o excesso de aporte de oxigénio pode remover este estimulo. E como já explicámos, se a pessoa não respirar, não consegue eliminar o dióxido de carbono, que se acumula.

As pessoas com DPOC e com níveis baixos de oxigénio no sangue podem ter necessidade de realizar Oxigénio em casa. Nestes casos, o médico geralmente determina o fluxo de oxigénio dentro de um intervalo aceitável, nomeadamente com a realização da gasimetria.

É importante que a Oxigenoterapia seja usada para manter os níveis sanguíneos dentro dessa faixa aceitável. Convém relembrar que a falta de ar na DPOC raramente é consequência de níveis diminuídos de oxigénio.

A maioria das recomendações recomenda uma saturação de oxigénio em torno dos 90% (88-92% é aceitável). Assim, minimizamos o risco de hipercápnia e os estudos revelaram ser uma quantidade de oxigénio suficiente para quem tem DPOC.

 

Bibliografia: Claude Farah, “Carbon Dioxide Retention in Patients with Chronic Obstructive Pulmonary Disease”