Sintomas da DPOC

Quais são os sintomas?

 

Na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica os doentes podem apresentar vários sintomas. As pessoas convivem com a doença de diferentes maneiras, nenhum doente é completamente igual ao outro. Apesar de haver alguma ligeira variabilidade ao longo do dia, por regra sentirá sintomas todos os dias mesmo que esteja a cumprir fielmente com tratamento de controlo elaborado pelo seu médico.

Os principais sintomas apresentados pelos doentes com DPOC são:

Sensação de falta de ar (dispneia): O nome diz tudo e dispensa grandes explicações. Este é um dos sintomas mais importantes e que vai agravando à medida que o tempo passa. É a principal responsável pela incapacidade e pela limitação na vida diária determinada pela DPOC e está associada a uma diminuição da função pulmonar. Por vezes é tão grave e intensa que impede as pessoas de fazerem as tarefas mais simples e pode até revelar-se quando estiver a falar ou parado.

Tosse: pode acontecer durante todo o dia, mas ocorre principalmente durante a manhã ao acordar. Por vezes, é o primeiro sintoma, mas é muito pouco valorizado pela maioria das pessoas. Ocorre em 50% dos doentes que são fumadores. Estima-se que um doente com DPOC tosse em média 21 vezes por hora. A tosse pode ser tão limitativa quanto a falta de ar, principalmente no trabalho ou na vida social.

Expetoração: devido ao estado inflamatório típico da DPOC existe uma produção crónica de secreções respiratórias, que podem apresentar diferentes características ao longo do tempo. Geralmente têm a coloração acinzentada ou branca, mas pode ser esverdeada ou amarela durante as agudizações, provavelmente em relação com a presença de uma infeção respiratória.

Respiração ruidosa (pieira): trata-se de um som agudo que surge quando a passagem de ar nos brônquios é turbulenta, provocada por vários fatores: a contração muscular brônquica que obstruir e complica a passagem do ar, a presença secreções ou outras causas.

Na maior parte dos casos, estas queixas agravam de forma continua, lenta e progressivamente, pelo que o doente vai-se adaptando sem dar o devido valor,  apenas recorrendo ao médico quando a sua intensidade é demasiado forte para aguentar e a doença já tem alguma gravidade. O diagnóstico e o tratamento precoce podem evitar um agravamento brusco da função pulmonar e o atingimento de um estado de saúde que o impeça de ter uma vida relativamente normal.

Os sintomas da DPOC são muitas vezes piores no inverno, especialmente em anos muito frios, e é possível que possa ter duas ou mais crises por ano. No entanto, se cumprir a medicação recomendada este número deverá ser bem menor. No entanto, como iremos ver, também o calor pode afetar e estragar o controlo da doença.

Uma exacerbação acontece quando os seus sintomas são particularmente mais graves em relação ao habitual. A exacerbação de DPOC é a principal causa de internamento por patologia respiratória na Europa e em Portugal é a segunda causa, após o internamento por Pneumonia.

 

A DPOC pode ter ainda outras manifestações:

Dor torácica inespecífica: devem ser descartadas outras causas comuns para dor na região torácica, nomeadamente as relacionadas com o coração ou a presença de um pneumotórax. Normalmente ocorre durante a tosse e é sentida na zona das costas.

Perda de peso: isto acontece devido a anorexia, a menor ingestão calórica ou pelo metabolismo aumentado, típico da doença. O baixo peso é completamente indesejável na DPOC e tem valor prognóstico negativo.

Cansaço: devido ao menor aporte de oxigénio aos músculos e a uma menor capacidade muscular.

Expetoração com sangue: felizmente acontece muito raramente e caso suceda deve motivar alguma preocupação, sendo especialmente urgente se a perda de sangue for em quantidade assinalável. Pequenos “raios” de sangue no meio de expetoração esbranquiçada podem aparecer por tosse irritativa e não estão associados a consequências graves.

Depressão: uma dimensão importante da doença muitas vezes desvalorizada e que surge devido à incapacidade da pessoa com DPOC em aceitar as limitações provocadas pela falta de ar bem como decorrente do estigma social da doença.

Scroll Up