Transplante Pulmonar

O Transplante Pulmonar consiste em substituir o seu pulmão por um novo, saudável e sem qualquer evidência de doença assinalável, de outra pessoa, e a DPOC é uma das principais indicações para a sua realização em todo o mundo. Por ser uma intervenção muito complexa e pela escassez de órgãos disponíveis, só deve ser ponderada em último recurso, quando toda a terapêutica médica não foi eficaz. Infelizmente, encontrar dadores compatíveis e com os requisitos mínimos tem sido muito difícil e existe bastante procura para pouca oferta, pelo que a lista de espera é longa. O seu principal objetivo é o de melhorar os sintomas da doença e dar um novo impulso na sua qualidade de vida, mas não tem um impacto muito significativo no aumento da esperança média de vida.

Os candidatos ideais para este tipo de cirurgia são as pessoas com menos de 65 anos, ex. ou nunca fumadores, com o peso ideal, com DPOC muito sintomática e com função pulmonar muito diminuída. Relativamente aos critérios de exclusão que impeçam a realização desta cirurgia, encontram-se os doentes que não cumpram a medicação, que sejam fumadores ou com neoplasia. Existem vários critérios de inclusão e de exclusão, seria muito exaustivo estar a descreve-los aqui pormenorizadamente.

Todo este processo leva o seu tempo e podem passar-se anos até haver um pulmão disponível para o doente. Primeiro, a pessoa deverá ser referenciada a uma Consulta de Pré-Transplante, que normalmente só existe em Hospitais de grande dimensão, como em Coimbra, Lisboa ou Porto. Entretanto, irá realizar bastantes exames complementares de diagnóstico, para estudar todos os órgãos do seu corpo, com o objetivo de excluir alguma doença oculta ou que possa impedir o transplante. Se tudo correr bem, será colocado numa lista de espera, até que exista um órgão disponível e compatível para si. É necessário que se confirme a compatibilidade sanguínea entre a pessoa que vai receber e o dador e também é fundamental que o pulmão que vai receber tenha dimensões que o permitam encaixar dentro da sua cavidade torácica.

Em Portugal, este tipo de transplante apenas é realizado no Hospital de Santa Marta, em Lisboa. Muitos doentes portugueses vão ser operados a Espanha, nomeadamente, ao hospital da Corunha. Antes e depois da cirurgia, terá que fazer sessões intensivas de reabilitação, para estar pronto para receber o pulmão e posteriormente para se adaptar a viver com esse novo órgão.

Como nascemos com uma proteção imunológica muito forte, que ataca tudo o que é estranho ao organismo, será necessário que tome regularmente alguns medicamentos imunossupressores, que controlem essa reação normal. O objetivo deste tratamento é principalmente evitar que o seu corpo rejeite o novo pulmão, colocando em risco o sucesso da cirurgia, mas também a sua própria vida. Estes fármacos têm alguns efeitos indesejáveis, podendo diminuir a capacidade de o corpo combater uma infeção bem como provocar alterações na hemoglobina e nas plaquetas, entre outros efeitos.

Após a cirurgia terá também que ter avaliações com a equipa médica que o operou de modo a verificar que está tudo bem e a fazer quaisquer ajustes nas doses dos medicamentos que falámos no parágrafo anterior.