Tratar em casa

As exacerbações podem ser tratadas no seu domicilio

 

Nem todos os doentes com uma agudização da sua DPOC necessitam de internamento hospitalar. A realidade é que uma grande parte dos doentes com exacerbações que recorrem aos Serviço de Urgência hospitalares ou dos Centros de Saúde têm alta para a sua casa e os dados a que temos acesso revelam que o tratamento fora do ambiente hospitalar é a melhor opção para a maioria das pessoas. Nestes casos, pode ser agendada uma nova consulta a curto prazo para uma reavaliação mais próxima, o que permite evitar internamentos desnecessários e readmissões urgentes por novas exacerbações, uma vez que existe um seguimento mais atento destas pessoas.

 

Educação do doente

Nem todo o tratamento crónico desta doença tem que envolver obrigatoriamente o uso de medicamentos, como temos falado ao longo destas páginas, e o mesmo se sucede quando sofre uma agudização da DPOC. É aconselhável que evite ao máximo estar ao ar livre desprotegido em situações de temperaturas extremas, evite a exposição a poluição e a fumos, como o tabaco, cheiros intensos, etc.

Antes de lhe dar alta da consulta ou do serviço de urgência, o seu médico deve certificar-se, sempre que possível, que faz uma boa técnica inalatória com o inalador prescrito, pedindo-lhe para exemplificar, pois esta é uma das principais razões para a má adesão terapêutica, o que fomenta uma nova exacerbação. Em alguns casos pode ser útil um espaçador (uma câmara expansora).

 

A medicação

Uma exacerbação, pela sua própria definição, vai levar a uma alteração no esquema do tratamento que faz habitualmente, que vai ser ajustada de modo a alcançar-se um controlo mais eficaz da doença. Em muitos casos pode ser adicionado um corticóide inalado que permite atuar como anti-inflamatório brônquico, diminuindo a inflamação e tratando este episódio agudo. Muitos doentes têm também indicação para corticoterapia oral por um período não superior a 5-10 dias, normalmente em esquema de desmame progressivo (decréscimo de dose gradual até à sua completa suspensão, de forma a evitar complicações graves). Se existir alguma alteração no aspeto da expetoração habitual ou a presença de critérios clínicos e analíticos de uma infeção, pode ser necessário prescrever-lhe um antibiótico para combater esse processo infeccioso.

Em certos casos, pode também ser necessário realizar tratamento com oxigénio em casa. Nem todos vão necessitar de usar oxigénio para toda a vida, pelo que a reavaliação a curto prazo para uma decisão sobre a sua continuação ou suspensão deve ser agendada.

 

A consulta de reavaliação

Todos os doentes que tenham tido o diagnóstico de uma exacerbação de DPOC e que tenham alta da urgência ou do internamento devem ter uma consulta de reavaliação após algumas semanas, se possível com uma nova radiografia torácica e com realização de umas provas de função respiratória (espirometria/pletismografia) para atestar a resolução da situação e avaliar alguma consequência quer a nível estrutural quer a nível funcional pulmonar. Esta consulta é também uma boa oportunidade para rever e otimizar todo o tratamento de controlo, devendo reforçar-se os cuidados preventivos necessários que deve ter.