Tratamento da exacerbação

O que é uma exacerbação?

Uma exacerbação não é mais do que um agravamento súbito dos sintomas habituais e crónicos da DPOC, ou por outras palavras, corresponde a uma agudização caracterizada pelo aumento quer da frequência quer da gravidade das queixas que tem no dia a dia e já não liga muito.

Trata-se, portanto, de uma alteração no grau da sensação de falta de ar habitual, em que muitas vezes também surge a pieira e o aparecimento ou agravamento da tosse seca ou produtiva (com expetoração), para além da sua variação diária habitual, e que é suficientemente grave para justificar uma mudança no plano de tratamento, quer com a introdução de medicação durante esta fase aguda, quer ajustando a medicação que faz habitualmente para controlar melhor a doença. Muitas vezes pode ter febre associada e nesse caso trata-se provavelmente de uma exacerbação secundária a uma infeção.

 

Fatores de risco para uma exacerbação

  • Infeção Respiratória
  • Poeiras e fumos
  • Cumprimento inadequado da medicação habitual
  • Não fazer parte de um programa de Reabilitação
  • Doenças crónicas (Hipertensão, Diabetes etc) mal controladas
  • Sem vacinação anti-gripal e anti-pneumococcus
  • Outras

 

De um modo simples, as exacerbações podem ser agrupadas em 3 grupos:

  • Exacerbações que podem ser tratadas em casa.
  • Exacerbações que requerem hospitalização.
  • Exacerbações com falência respiratória grave e a necessidade de medidas diferenciadas de suporte das funções vitais, ou seja, internamento em Unidade de Cuidados Intensivos.

 

Tratamento em casa

Uma grande parte dos doentes com exacerbações que recorrem aos Serviço de Urgência hospitalares ou dos Centros de Saúde têm alta para a sua casa e os dados revelam que o tratamento fora do ambiente hospitalar é a melhor opção para a maioria das pessoas.

Uma exacerbação vai levar a uma alteração no esquema do tratamento que faz habitualmente, que vai ser ajustado de modo a alcançar-se um controlo mais eficaz da doença. Em muitos casos pode ser adicionado um corticóide inalado que permite atuar como anti-inflamatório brônquico, diminuindo a inflamação e tratando este episódio agudo. Se for episódio único, passados umas semanas este corticóide pode ser retirado, no entanto, pessoas com várias exacerbações por ano podem ter que manter este fármaco durante muito mais tempo.

Alguns doentes têm também indicação para corticoterapia oral por um período não superior a 5-10 dias, normalmente em esquema de desmame progressivo (decréscimo de dose gradual até à sua completa suspensão, de forma a evitar complicações graves).

Se existir alguma alteração no aspeto da expetoração habitual ou a presença de critérios clínicos e analíticos de uma infeção, pode ser necessário prescrever-lhe um antibiótico para combater esse processo infecioso.

Em certos casos pode também ser necessário realizar tratamento com oxigénio em casa. Nem todos vão necessitar de usar oxigénio para toda a vida, pelo que a reavaliação a curto prazo para uma decisão sobre a sua continuação ou suspensão deverá ser agendada.

 

Tratamento Hospitalar

A decisão de internar uma pessoa com uma agudização da sua DPOC na enfermaria de um hospital decorre da interpretação da sua situação por parte do médico que o assiste na consulta ou na urgência, nomeadamente da gravidade da falta de ar, do grau de insuficiência respiratória, se existiu uma resposta insuficiente ao tratamento efetuado bem como da presença ou não de uma infeção grave ou de algumas doenças associadas (como diabetes ou hipertensão arterial) que estejam descompensadas.

A ventilação não invasiva

A maioria dos doentes consegue ultrapassar com sucesso uma agudização, incluindo as situações em que é necessário ficar internado no hospital alguns dias. Em alguns casos, durante esta exacerbação, estas pessoas desenvolvem insuficiência respiratória grave, uma vez que o sistema respiratório não consegue recuperar sozinho, nem mesmo com ajuda de oxigénio extra. Desse modo, o organismo não consegue captar oxigénio suficiente e/ou eliminar de forma eficiente o dióxido de carbono. São nestas situações em que o apoio de uma máquina (ventilador) pode ser essencial para o ajudar a respirar.

A Ventilação Mecânica não-invasiva (em que não é necessário “estar a dormir”), trata-se de um modo de suporte de vida temporário, que é instituído até que a causa que provoca a insuficiência respiratória aguda seja revertida com o tratamento adequado. Esta técnica permite dar tempo ao seu organismo para responder a todas as intervenções terapêuticas escolhidas para tratar esta agudização.

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