Vacine-se

A importância das vacinas da DPOC

 

Apesar de todos os esforços dos profissionais de saúde ainda há muitos doentes que não cumprem os esquemas de vacinação sugeridos. Algumas pessoas optam por não realizar este plano de imunização principalmente por receio, nomeadamente no caso da vacina contra a gripe, ou então por questões económicas, no caso da vacina que confere proteção para a pneumonia, que pode ser um pouco mais cara. Mas uma coisa é certa e não deve ter dúvidas – a vacinação contra os organismos que são responsáveis pela gripe e pela infeção respiratória pneumocócica é essencial e uma das atitudes mais importantes para evitar o agravamento súbito dos seus sintomas e para proteger a sua saúde.

É cada vez mais visível uma aposta na consciencialização da população para este problema, como foi o caso do anúncio recente do “Esquadrão da Pneumonia” que foi reproduzido na rádio, jornais e televisão, numa iniciativa de várias entidades, incluindo a Sociedade Portuguesa de Pneumologia. Este tipo de investimento, nomeadamente o televisivo, tem um impacto importante em muitas pessoas e ajuda a sedimentar a necessidade de que é preciso protegerem-se de agentes agressores que são facilmente evitáveis

Como já referimos, existem dois tipos de vacinação recomendadas para os doentes com DPOC: a vacina antigripal e a contra agentes pneumocócicos.

As vacinas atuam através do “ensino” do sistema imunitário sobre como defender-se contra certos agentes perigosos conhecidos. Ao receber a vacina o nosso organismo fica mais capacitado para reconhecer mais rapidamente o inimigo desenvolvendo as respostas necessárias. Isto é importante porque a imunidade natural do ser humano não está preparada para atuar contra todos os riscos possíveis e, por isso, pode necessitar de uma ajuda para vencer esta batalha. É quase como se estivesse a fazer doping, só que este é legal e recomendado.

 

Vacinação Antigripal

A famosa (e por alguns temida) vacina contra a gripe inclui a proteção contra várias estirpes do vírus Influenza A e B, e a sua constituição é revista anualmente para se adaptar aos vírus mais comuns no nosso país e que estiveram em circulação no ano anterior. Por isso, deve ser tomada todos os anos, preferencialmente entre Setembro e Dezembro, no caso de viver em Portugal, para conferir uma proteção adequada, sendo que a taxa de eficácia ronda os 90%.

Se tem mais de 65 anos, ou também sofre de certas doenças crónicas, tem direito a que a vacina seja administrada gratuitamente no seu centro de saúde, pelo que na próxima consulta fale com o seu médico de família e tire as suas dúvidas. Deve ser sugerida a todos os doentes com maior probabilidade de desenvolver doença grave – os doentes com doenças crónicas, como a DPOC, são dos que estão em maior risco e por isso é uma medida fundamental e são dos que mais beneficiam com a sua toma.

O sucesso desta vacina antigripal está relacionado com a sua capacidade para ajudar a desenvolver anticorpos contra a duas proteínas presentes na membrana dos vírus da Gripe: os anticorpos contra a proteína H (hemaglutinina) evitam a aquisição da doença, e os anticorpos contra a proteína N (neuraminidase) diminuem a gravidade da doença, ao evitar que o vírus se espalhe tão facilmente. Os anticorpos são os soldados que a Imunidade, uma espécie de General, tem para combater as infeções.

Como se trata de uma vacina com vírus inativados não é provável que ocorram complicações na maioria das pessoas. No entanto, quem for mais sensível pode apresentar febre ou desenvolver inflamação no local da picada durante 1 ou 2 dias após a toma da vacina. Estas reações são leves e passageiras, mas muitos dos meus doentes ficam com medo e não querem voltar a levar a injeção, e por vezes é difícil conseguir convencê-los a mudar de ideias. Gostávamos que percebesse que os benefícios superam largamente estes pequenos efeitos adversos, que a vacina é bastante segura e não há qualquer razão para ter medo.

O efeito não é imediato, demora mais ao menos duas semanas até surgirem os primeiros anticorpos protetores e o nível de defesa máxima só é atingido após 45 dias da picada. Por isso, realçamos a importância de ser vacinado o mais precocemente possível para estar preparado durante o pico gripal.

Vacinação Antipneumocócica

A vacinação contra a bactéria Streptococus pneumoniae, um dos principais agentes provocadores de infeção respiratória, não faz parte do Plano Nacional de Vacinação e a sua aquisição pode ser um pouco dispendiosa. No entanto, os estudos em pessoa vacinadas mostraram que foi responsável por uma grande diminuição dos episódios infeciosos provocados por este agente. As pessoas com DPOC são dos maiores beneficiários com a sua toma, visto que têm um maior risco de pneumonia.

É considerada uma vacina bastante segura, mas existem alguns cuidados a ter antes da sua toma: não devem ser vacinadas as pessoas com antecedentes alérgicos a determinadas substâncias que fazem parte da constituição da vacina, como o Fenol. Também não se deve administrar a vacina se tiver febre, uma infeção ou durante as agudizações de doenças crónicas. Se teve uma pneumonia no passado não se preocupe, isto não contraindica a toma da vacina.

A vacina é administrada através de uma injeção, idealmente por via intramuscular, normalmente no braço ou na zona dos músculos glúteos, ou seja, no rabo, para quem não estiver com a lição de anatomia em dia. As vias intradérmica e intravenosa estão proibidas visto estarem associadas a reações graves. Em muitos doentes basta uma única dose, podendo haver lugar a uma revacinação cinco anos depois.

É comun os nossos doentes perguntarem se têm que “repetir daqui a 3 ou 5 anos”, no entanto, repetições da dose mais frequentes não são aconselháveis, visto não terem sido descritos quaisquer benefícios.

A sua toma raramente provoca efeitos adversos graves, mas podem observar-se algumas alterações ou situações indesejáveis temporárias e ligeiros. Por exemplo, às vezes pode aparecer uma discreta reação inflamatória no local da injeção, que desaparece em 1-2 dias. Tal como todas as vacinas, é possivel que ocorra uma ligeira febrícula ou outros sintomas como dor de cabeça, cansaço, gânglios aumentados, dores musculares generalizadas ou outros, mas todos sem grande consequência para a sua saúde.

Alguns doentes têm receio de que possam desenvolver uma pneumonia após a vacinação, uma vez que esta é constituída por fragmentos de bactérias, no entanto, não se preocupe que não há esse risco. A vacina pode ser administrada a mulheres que amamentem, mas não existem estudos realizados em mulheres grávidas, pelo que atualmente não se recomenda a sua toma. A eficácia da vacina oscila atualmente entre os 60-80%.

Até recentemente existiam 2 vacinas disponíveis: A PNEUMO23® e a PREVENAR®, com preços distintos e com algumas diferenças na extensão da sua proteção – a primeira encontra-se esgotada e será brevemente produzida uma semelhante por outra empresa. As duas podem ser administradas no mesmo doente, mas não pode ser no mesmo dia, existindo intervalos definidos para as suas tomas.

Esclareça com o seu médico as suas dúvidas e siga este conselho: vacine-se!