Ventilação Não Invasiva

A maioria dos doentes consegue ultrapassar com sucesso uma agudização, incluindo as situações em que é necessário ficar internado no hospital alguns dias. Em alguns casos, durante esta exacerbação, estas pessoas desenvolvem insuficiência respiratória grave, uma vez que o sistema respiratório não consegue recuperar sozinho, nem mesmo com ajuda de oxigénio extra. Desse modo, o organismo não consegue captar oxigénio suficiente e/ou eliminar de forma eficiente o dióxido de carbono. São nestas situações em que o apoio de uma máquina (ventilador) pode ser essencial para o ajudar a respirar.

A Ventilação Mecânica, seja a invasiva (através da entubação, estando completamente sedado) ou a não-invasiva (em que não é necessário “estar a dormir”), trata-se de um modo de suporte de vida temporário, que é instituído até que a causa que provoca a insuficiência respiratória aguda seja revertida com o tratamento adequado. Esta técnica permite dar tempo ao seu organismo para responder a todas as intervenções terapêuticas escolhidas para tratar esta agudização. O mecanismo de ação dos ventiladores baseia-se, sumariamente, no fornecimento de pressões inspiratórias e expiratórias que permitem a estabilização e a normalização da respiração, até ao ponto em que não é mais necessário o uso deste aparelho e já consegue voltar a respirar de modo independente.

E quando é necessária esta ajuda?

  • Se não for capaz de manter um nível de oxigénio no sangue estável apesar de estar sob apoio de oxigénio em alto débito.
  • Se apresentar um valor sanguíneo de dióxido de carbono muito elevado associado a um valor de pH diminuído no sangue. Isto quer dizer que está a reter o COe precisa de ajuda para expulsá-lo do corpo.
  • Se for previsível que se vai cansar uma vez que o esforço que está a fazer para respirar é excessivo de mais. Nesta situação, apresenta movimentos respiratórios pouco eficazes, prolongados e saturantes para os seus músculos.

Nestes casos pode ser iniciado este suporte ventilatório para o ajudar a sair desta dificuldade respiratória e evitar um perigo importante para a sua saúde. Com o ventilador é mais fácil atingir-se um equilíbrio nas trocas gasosas, ou seja, a correção da falta de oxigénio e/ou do excesso de dióxido de carbono no sangue. Também permite aliviar os seus músculos desse esforço excessivo para compensar esses défices respiratórios, evitando então a fadiga dos músculos que ajudam na respiração e reduzindo a sensação de desconforto e falta de ar.

 

A ventilação Não-Invasiva (VNI)

 A VNI é um tipo de suporte ventilatório através do qual o aparelho fornece às suas vias respiratórias uma pressão positiva que é enviada através de uma máscara conectada ao ventilador. É um modo de tratamento muito mais confortável do que a Ventilação Invasiva, e apesar de ser suficiente na maioria dos casos, em algumas situações mais graves não impede que a pessoa possa precisar de uma atitude mais invasiva.

Nos últimos anos tem sido cada vez mais usada com muitos bons resultados, e deve ser vista como a primeira opção em casos de agudização da DPOC, ao invés de se pensar logo na ventilação invasiva, mas não deve servir para atrasar situações com necessidade imperiosa de entubação e de ventilação mecânica invasiva.

Este tipo de ventilação pode ser iniciado quer no Serviço de Urgência quer na Enfermaria, não obrigando a um internamento numa unidade de cuidados intensivos, apesar de ser preferível que os doentes estejam numa unidade com monitorização e com o apoio de uma equipa médica e de enfermagem treinada para lidar com este tipo de doentes e de tratamento. Ao contrário da ventilação invasiva, onde o doente está anestesiado e sedado, quando realiza VNI está completamente consciente e por isso o controlo dos ciclos da respiração é feito por si, tendo o aparelho um algoritmo que é ativado apenas no caso dos parâmetros respiratórios detetados serem inferiores ao desejado, procedendo à correção da situação.

Como o ventilador está meramente a apoiar a pessoa, não irá ser necessário sedá-lo, podendo interagir com a equipa médica e com os seus familiares ou ver televisão. Entretanto, e se a evolução for positiva, irá suspender por fases o tratamento para que possa alimentar-se e até ir à casa de banho. À medida que melhora, vão sendo feitas intervalos cada vez maiores na utilização deste ventilador e se tudo correr bem volta a respirar sem o aparelho, tal como era habitual anteriormente. Noutros casos, pode ser necessário que leve um aparelho destes para casa como medida preventiva de uma nova falha respiratória.

 

Exemplos de ventiladores

 

Máscaras